Depois de avançar sobre o petróleo venezuelano, os Estados Unidos agora querem ampliar sua presença no setor de mineração do país, incluindo o ouro. O governo de Donald Trump avalia medidas para facilitar investimentos americanos na mineração venezuelana e aumentar o acesso a minerais considerados estratégicos para a segurança nacional. As informações são da Reuters.
A movimentação ocorre depois de Washington já ter criado mecanismos para permitir determinadas operações envolvendo minerais venezuelanos. De acordo com o Departamento do Tesouro dos EUA, uma licença emitida em setembro autoriza certas atividades relacionadas a carvão e minerais de origem venezuelana, incluindo ouro, além de negociações para investimentos no setor.
A Venezuela possui grandes depósitos minerais, embora os dados disponíveis sejam antigos e apresentem incertezas. Segundo a Reuters, um levantamento do governo venezuelano de 2018 estimava recursos de 644 toneladas de ouro, 14,68 bilhões de toneladas de minério de ferro, 321,5 milhões de toneladas de bauxita e mais de 407 mil toneladas de níquel.

O problema é que boa parte do potencial mineral venezuelano ainda não está devidamente dimensionado. De acordo com outra análise da Reuters, dados geológicos desatualizados e a falta de estudos sobre a viabilidade econômica das reservas dificultam estimar quanto desses recursos pode efetivamente ser explorado.
O interesse americano também ocorre em meio à tentativa de Washington de ampliar sua influência econômica sobre a Venezuela e limitar o espaço ocupado pela China no país. A estratégia transforma os recursos naturais venezuelanos em uma questão de interesse econômico e geopolítico para os Estados Unidos.
Em abril, o Parlamento venezuelano aprovou uma nova legislação para tentar atrair investimentos para a mineração. A lei mantém os depósitos minerais sob propriedade do Estado e estabelece royalties de até 13% sobre o valor bruto da produção.