Meloni quer limitar estrangeiros nas escolas e proibir burca na Itália

Governo de Giorgia Meloni pretende estabelecer limite por turma, exigir italiano de pais de alunos com dificuldades de integração e proibir burca e niqab nas escolas

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, anunciou neste domingo (20) que seu governo prepara uma medida para limitar legalmente o número de estudantes estrangeiros por turma e proibir o uso de burca e nicabe nas escolas. A proposta deverá ser apresentada em breve ao Conselho de Ministros. As informações são da Anadolu.

Meloni fez o anúncio durante o Fenix, festival nacional organizado pela Juventude Nacional, grupo ligado ao partido Irmãos da Itália (FdI), em Roma. Segundo a primeira-ministra, a medida também obrigará pais de estudantes estrangeiros que enfrentem dificuldades graves de integração ao sistema escolar a aprender italiano.

Giorgia Meloni (Foto: WikiCommons)

“As crianças italianas não podem se sentir como minoria na sala de aula”, afirmou Meloni durante o evento. A primeira-ministra disse que, quando o número de alunos que não compreendem italiano se torna elevado ou chega a representar a maioria da turma, a situação deixa de ser integração e passa a ser, em suas palavras, negligência.

O governo ainda não definiu qual será o limite de estudantes estrangeiros por sala. Atualmente, alunos que não possuem cidadania italiana representam 11,6% dos estudantes matriculados no país, segundo dados da Fondazione ISMU citados pela Reuters.

A proposta também prevê a proibição de vestimentas que cubram integralmente o rosto nas escolas. A Reuters e a Associated Press informaram que Meloni citou especificamente a burca e o niqab. O hijab, que cobre os cabelos e o pescoço, mas deixa o rosto descoberto, não foi mencionado por Meloni nas declarações registradas pela AP.

“A escola é um lugar onde se deve estar com o rosto descoberto”, afirmou Meloni, acrescentando que a igualdade entre homens e mulheres não é negociável nas escolas e nas ruas italianas.

A proposta ainda precisa passar pelo processo legislativo italiano. Depois de aprovada pelo governo, uma medida desse tipo dependerá da aprovação do Parlamento para entrar definitivamente em vigor.

A Associação Nacional de Diretores de Escolas da Itália questionou a aplicação prática do limite de estudantes estrangeiros por turma. O presidente da entidade, Antonello Giannelli, afirmou à ANSA que seria difícil encontrar uma solução técnica, especialmente em regiões onde a população estrangeira representa parcela elevada dos moradores.

A discussão ocorre em meio ao debate político italiano sobre imigração, integração e educação. A localização do país no Mediterrâneo faz da Itália uma das principais portas de entrada de migrantes na Europa, enquanto o governo Meloni mantém a imigração entre os principais temas de sua agenda política.

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