Irã chama Starlink de “arma de guerra” e amplia restrições à internet

Teerã classifica serviço de Elon Musk como ferramenta de guerra e ameaça ampliar restrições à rede global em meio ao conflito com Estados Unidos e Israel

O governo do Irã pretende intensificar as medidas contra a Starlink, serviço de internet via satélite da SpaceX, empresa de Elon Musk. As autoridades consideram a tecnologia uma ameaça à segurança nacional porque permite acessar a internet internacional sem depender diretamente da infraestrutura controlada pelo Estado. As informações são da Al Jazeera.

Em meio à guerra com Estados Unidos e Israel, Teerã também sinaliza novas restrições à internet e mantém a proibição do uso e da distribuição de terminais Starlink. As penalidades incluem multas e penas de prisão, que podem chegar a cinco anos para quem importar ou distribuir os equipamentos. Acusações adicionais de espionagem ou ameaças à segurança nacional podem levar a punições ainda mais severas, segundo a Al Jazeera.

Mohammad Amin Aghamiri, secretário do Conselho Supremo do Ciberespaço do Irã, afirmou que a Starlink é uma “ferramenta de guerra” utilizada para espionagem, comando militar e coleta de informações. O governo afirma dispor de sistemas capazes de interromper as conexões dos terminais.

Antena da Starlink, serviço de internet via satélite da SpaceX, empresa de Elon Musk (Foto: WikiCommons)

A repressão combina bloqueios eletrônicos, interferências nos sinais de GPS, monitoramento e apreensão de equipamentos. As autoridades também realizam operações para localizar terminais clandestinos e estabelecimentos que comercializam os dispositivos.

A preocupação de Teerã vai além do uso militar da tecnologia. A Starlink permite que iranianos acessem serviços internacionais e enviem informações, imagens e vídeos para o exterior mesmo durante os bloqueios impostos pelo governo.

Em janeiro de 2026, durante protestos nacionais, o país enfrentou três semanas de interrupção do acesso à internet global. No início da guerra, outro bloqueio durou 88 dias. As restrições atingiram a comunicação da população com o exterior e dificultaram o acesso a plataformas e serviços internacionais.

A internet via satélite representa uma alternativa a esse sistema de controle. Diferentemente das conexões convencionais, que dependem de redes terrestres submetidas à regulação nacional, os terminais Starlink se comunicam diretamente com satélites em órbita baixa. Isso dificulta a aplicação dos mesmos mecanismos de censura utilizados nas redes domésticas.

A tecnologia, contudo, não está amplamente disponível no Irã. O custo dos equipamentos, o risco de prisão e a dificuldade de contrabandear os terminais limitam o acesso. A maioria da população continua dependente de uma infraestrutura nacional que bloqueia milhares de sites e restringe serviços estrangeiros.

O governo também defende a expansão de plataformas nacionais e um modelo de acesso escalonado, no qual determinados grupos, como comerciantes, pesquisadores e jornalistas, poderiam manter conexões internacionais durante períodos de restrição.

A disputa chegou à União Internacional de Telecomunicações (UIT). Teerã pressiona os Estados Unidos e a Noruega a agir contra as operações não autorizadas da Starlink no território iraniano. Em 4 de outubro, o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador norueguês para apresentar um protesto diplomático sobre o funcionamento da rede.

Em paralelo, autoridades iranianas discutem a possibilidade de flexibilizar o acesso a algumas plataformas. Um documento divulgado pela mídia estatal prevê a possibilidade de desbloquear o Google Play e o WhatsApp. Para liberar serviços como YouTube e Telegram, porém, o governo exigiria negociações e o cumprimento de condições estabelecidas por Teerã.

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