Anistia denuncia tortura e morte de crianças pelo Exército da Nigéria

Submetidos a maus-tratos e tortura, cerca de 10 mil nigerianos morreram em centros de detenção militar
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Cerca de 10 mil pessoas, a maioria delas crianças, morreram em centros de detenção das forças nigerianas durante guerra contra o Boko Haram na Nigéria, estima a Anistia Internacional em um relatório divulgado no último dia 27.

A ONG de defesa dos direitos humanos apontam que muitas crianças que conseguiam escapar da organização jihadista eram detidas arbitrariamente e durante anos em quartéis militares, em condições de maus-tratos e até sendo submetidos à tortura.

Os dados fazem parte de um relatório da Anistia Internacional sobre o efeito da atuação do Boko Haram e de militares nigerianos na vida de crianças no nordeste da Nigéria. Entre os entrevistados pela ONG, estão 48 crianças e 22 adultos detidos pelos militares.

Desde 2015, a ONU verificou a libertação de 2,8 mil crianças das forças militares da Nigéria. No entanto, acredita-se que o número de crianças detidas entre 2013 e 2019 é muito maior.

Cerca de 10 mil pessoas morreram em detenção militar na Nigéria
Crianças fugindo da violência na Nigéria (Foto: IOM/Reprodução)

Como não tem acesso a esses espaços, a ONU não sabe precisar o número total de crianças detidas, em sua maioria de forma ilegal. Esses presos normalmente não são acusados ou processados e tem os direitos de acesso a um advogado, de estar diante a um juiz ou comunicar a família negados.

De acordo com a Anistia Internacional, as pessoas que conseguem fugir do domínio do Boko Haram são rastreadas pela Força Tarefa Conjunta Militar e Civil do país. Em muitos casos, os casos envolvem tortura até que ocorra uma confissão forçada de filiação ao grupo jihadista.

Ex-detentos entrevistados pela ONG apontam superlotação, falta de ventilação, infestação de parasitas, urina e fezes no chão, acesso inadequado à água, alimentação e atendimento médico nos centros de detenção militares.

Esses quartéis que abrigam detentos incluem o de Giwa, na cidade de Maiduguri, no nordeste do país, e base militar Kainji, no estado de Niger.

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