Crianças albinas enfrentam dificuldades para estudar no Malaui

Em algumas comunidades, albinos são atacados e até assassinados; condição genética é vista como "mística" na região
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on email

Uma em cada 130 pessoas no Malaui, país da África Oriental, tem albinismo. São mais de 134 mil no total, e 40% estão em idade escolar. Mas para a escola pode ser um risco, segundo a ONU.

Em algumas comunidades, pessoas albinas são atacadas e mortas, já que muito misticismo ainda envolve a condição genética. Algumas comunidades chegam a fazer rituais com albinos.

Nos últimos cinco anos, foram registrados mais de 160 casos de assassinato e outras violações de direitos humanos contra pessoas com albinismo no país. Relatos semelhantes ocorrem na Tanzânia e em Moçambique.

“Alguns pais têm medo de mandar os filhos para a escola, então menos crianças albinas têm acesso à educação“, conta a coordenadora das Nações Unidas no Malaui, Maria Jose Torres.

Segundo Torres, muitas crianças albinas ainda têm deficiência visual. Em um país com pouca oferta de educação especial nas escolas, fica ainda mais difícil ter acesso ao ensino.

“Eu repeti algumas aulas porque eu estava lutando para aprender com meu problema de visão. Mas agora eu sento na frente e os professores escrevem com letras maiores do que antes para que eu possa ler corretamente”, conta Chinsisi, um garoto de 14 anos da aldeia de Kunaunje, em Salima.

Crianças albinas enfrentam dificuldades para estudar no Malawi
Chinsisi, 14 anos, agora se sente seguro para ir à escola no Malaui (Foto: WFP/Reprodução)

Ambiente seguro

Com a colaboração de escolas, comunidades, entidades de ajuda humanitária e das autoridades policiais, alunos como Chinsisi estudam em ambientes mais seguros.

Os esforços vão desde a busca pelo fim da violência contra crianças albinas até ensinar esses alunos a se protegerem. Os estudantes com albinismo receberam um dispositivo para alertar as autoridades quando estão sendo atacados.

“Eu costumava ter muito medo quando ia para a escola e me esforçava para me concentrar nos estudos antes de receber o alarme. Agora, essa é uma das minhas armas contra as ameaças”, conta o menino.

Tags: