Campanha de vacinação contra o ebola começa na RD Congo para conter novo surto

Iniciativa se segue à morte de duas pessoas por Ebola desde 21 de abril, com 230 pessoas em risco identificadas e monitoradas

Uma campanha de vacinação contra o Ebola começou no noroeste da República Democrática do Congo (RDC), com o objetivo de impedir a propagação de um novo surto mortal no país, onde a doença é endêmica. A OMS (Organização Mundial da Saúde da ONU) disse nesta quarta-feira (27) que as pessoas já foram inoculadas em Mbandaka, capital da província de Equador.

A campanha se segue à morte de duas pessoas por Ebola desde 21 de abril. Mais de 230 pessoas que tiveram contato direto ou indireto com as vítimas foram identificadas e monitoradas, e três equipes de vacinação trabalharão para alcançar aqueles com maior risco, segundo a OMS.

“Com vacinas eficazes à mão e a experiência dos profissionais de saúde da RDC na resposta ao Ebola, podemos mudar rapidamente o curso desse surto para melhor”, disse Matshidiso Moeti, diretora regional da agência da ONU para a África. “Estamos apoiando o país em todos os principais aspectos da resposta de emergência ao Ebola para proteger e salvar vidas.”

Vacinação contra o Ebola na RD Congo, agosto de 2019 (Foto: divulgação/Monusco)

A República Democrática do Congo viu 14 surtos de Ebola desde 1976, seis deles apenas desde 2018. Entretanto, com o apoio da OMS e de outros parceiros e doadores, o país se tornou especialista em montar uma resposta eficaz ao vírus, observou a agência da ONU.

Cerca de 200 doses da vacina rVSV-ZEBOV Ebola foram enviadas para Mbandaka e outras doses serão entregues nos próximos dias. A vacinação é injetada de acordo com a “estratégia do anel”, pela qual os contatos de pacientes confirmados com Ebola recebem a vacina, assim como os profissionais da linha de frente e de saúde.

Além da campanha de vacinação, um centro de tratamento de Ebola com 20 leitos foi montado em Mbandaka. A vigilância de doenças e a investigação de pacientes suspeitos de Ebola já estão em andamento para detectar novas infecções, e a OMS também forneceu apoio material, além de seis epidemiologistas para ajudar na resposta.

As autoridades nacionais de saúde também são cruciais para o esforço, incluindo o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica, que concluiu uma análise de uma amostra do primeiro caso confirmado, cujos resultados mostram que o novo surto indica uma nova cepa de Ebola, resultado de um “evento de transbordamento do hospedeiro ou reservatório animal”, disse a OMS.

As investigações estão em andamento para determinar a fonte do novo surto e como ele infectou a primeira pessoa confirmada.

Conteúdo adaptado do material publicado originalmente em inglês pela ONU News

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