Com escassez de vacinas, África se aproxima dos 5 milhões de casos de Covid-19

Enquanto curva de contágios não para de crescer, índice de vacinados contra a Covid-19 no continente não chega a 2%
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O número de contaminados pela Covid-19 nos 55 países da África já beira os 5 milhões, apontou o levantamento do portal All Africa, nesta sexta (28). E, enquanto a curva de contágios não para de crescer, o índice de vacinados no continente ainda não ultrapassou os 2%.

Os últimos dados da plataforma Our World in Data mostram que pouco mais de 22 milhões de doses foram administradas em todo o continente. Na prática, 18,3 milhões receberam uma das duas doses da vacina e apenas 0,54% estão imunizados integralmente.

A África do Sul tem o maior número de casos notificados: mais de 1,6 milhão. Dessas, 56,1 mil pessoas morreram. Outros países que mais registraram contágios são o Marrocos, com 518 mil notificações, e a Tunísia, com 340 mil. Em seguida estão Egito (258 mil), Líbia (184 mil) e Quênia (169 mil).

Com escassez de vacinas, África se aproxima dos 5 milhões de casos confirmados de Covid-19
Tímida campanha de vacinação contra a Covid-19 em Goma, República Democrática do Congo, maio de 2021 (Foto: Unicef/Olivia Acland)

Os números, porém, estão longe de serem confiáveis: faltam dados para interpretar todos os contágios e mortes por Covid-19 na África. As lacunas nos mapas de vacinação e atestados de óbito são profundas em todo o continente, que não tem como regra registrar seus dados públicos.

Apenas oito países africanos – Egito, África do Sul, Tunísia, Argélia, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Seychelles e Ilhas Maurício – atualizam seus sistemas de índices de natalidade e mortalidade.

Os demais têm algum tipo de notificação de óbito, mas os dados estão no papel, não constam em formulários compartilháveis e não há como incluí-los em índices de tendências de mortalidade a nível nacional. O comportamento impede que países desenvolvam políticas públicas, como o combate a doenças mais prevalentes.

Aumento de casos graves

Um estudo publicado pela revista científica “The Lancet” na última sexta (22) apontou que, apesar de apresentar baixas taxas de mortalidade por Covid-19, a África tem o maior número de contaminados em estado grave. Em consequência, o continente também registra a maior densidade de mortos após o agravamento da doença.

A falta de recursos nas unidades de terapia intensiva é um dos principais motivos, apontou a pesquisa. Dos 3,1 mil pacientes admitidos nessas unidades em 64 hospitais do continente, quase metade (48,2%) morreu sem receber oxigênio após 30 dias de tratamento. Em outros continentes, a média é de 31,5%.

Dos pacientes pesquisados, apenas 10% tiveram acesso a diálise renal, e menos de 1% à ECMO (oxigenação por membrana extracorporal, espécie de “pulmão artificial”), usado como último recurso para casos avançados.

Sem fundos, a maioria dos países africanos ainda depende quase que exclusivamente da iniciativa Covax, da OMS (Organização Mundial da Saúde), que concede vacinas à Covid-19 aos países mais pobres. O programa está paralisado desde que Nova Délhi proibiu a exportação do Instituto Serum devido à crise sanitária no país.

Enquanto países tentam lidar com os imunizantes que já receberam, nações como Eritreia, Chade, Burundi, Tanzânia e Burkina Faso ainda não administraram qualquer vacina.

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