Consultores norte-americanos ajudarão a RD Congo a formar unidade antiterrorismo

Maior ameaça extremista é a ADF, grupo islamista armado de Uganda que se diz associado ao Estado Islâmico
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Soldados das forças especiais dos Estados Unidos foram enviados à República Democrática do Congo para ajudar no combate ao terrorismo islâmico. A missão dos norte-americanos é prestar consultoria para que o país africano forme uma unidade antiterrorismo, segundo a agência Reuters.

De acordo com o presidente congolês Felix Tshisekedi, as tropas enviadas por Washington vão “apoiar o exército na luta contra o terrorismo, bem como [apoiarão] as patrulhas dos parques nacionais de Virunga e Garamba, que se tornaram um santuário para as forças terroristas”.

Os norte-americanos chegaram a Kinshasa, capital da RD Congo, na sexta-feira (13) e já seguiram rumo ao leste do país, onde atuarão.

Consultores norte-americanos ajudarão a RD Congo a formar unidade antiterrorismo
Soldados da República Democrática do Congo em combate a terroristas na província de Ituri, ao leste do país, em fevereiro de 2015 (Foto: Divulgação/Monusco)

Em maio deste ano, Tshisekedi decretou estádio de sítio após dois anos de intensa violência. Mas a decisão foi infrutífera, e, desde então, a atuação das milícias tem se intensifica, segundo dados da organização Kivu Security Tracker, que mapeia a violência na região.

Entre os extremistas atuantes no país, a maior ameaça é a ADF (Frente Democrática Aliada, na sigla em inglês), grupo islamista armado de Uganda que se diz associado ao EI (Estado Islâmico). Os jihadistas da ADF são acusados de inúmeros massacres, sobretudo na zona rural do país.

Analistas afirmam, porém, que nem todas as ações violenta partem da ADF, e a associação do grupo ao EI também deve ser questionada. Outros grupos extremistas podem ser os autores de alguns dos ataques, e mesmo soldados do exército congolês seriam os responsáveis por determinados atos de violência.

Por que isso importa?

Desde o fim da guerra civil, em 2013, diversos grupos armados se formaram e iniciaram uma violenta disputa pelo controle de áreas ricas em recursos naturais na RD Congo.

A corrupção é um agravante. O presidente Tshisekedi usou a palavra “máfia” para se referir aos grupos que encabeçam ações ilegais envolvendo também policiais e militares. “Há muitos esquemas minando nossas forças de segurança”, disse ele.

No Brasil

Casos mostram que o país é um “porto seguro” para extremistas. Em dezembro de 2013, um levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino.

Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos.

Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram. Saiba mais.

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