Durante pandemia, Boko Haram intensifica ataques na Nigéria

Desde junho de 2018 não havia um aumento da violência jihadi como detectado nas últimas semanas na região
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A pandemia do novo coronavírus não inibiu os ataques do Boko Haram na Nigéria. É o maior aumento da violência jihadista no país e em toda a bacia do Lago Chade desde junho de 2018, segundo o think tank norte-americano CFR (Council on Foreign Relations).

Existem pelo menos três facções do Boko Haram. Cada uma tem uma relação distinta com o Estado Islâmico, a Al-Qaeda e outros grupos armados.

Os insurgentes atuam livremente nos estados de Borno e Yobe, além de partes próximas a Camarões, ao Chade e ao Níger. O objetivo é acabar com o Estado laico nigeriano e estabelecer um sistema baseado na sharia, a lei religiosa islâmica.

Segundo o especialista do CFR John Campbell, apesar de o Boko Haram explorar a crise do coronavírus a seu favor, não houve nenhum avanço para o grupo até o momento.

Durante pandemia, Boko Haram intensifica ataques na Nigéria
Nativos de Maiduguri e sobreviventes do grupo radical Boko Haram moram agora em campo na Nigéria (Foto: Lesley Wright/UN Photo)

Forças sobrecarregadas

A pandemia e seus impactos econômicos acentuaram a deterioração das forças de segurança da Nigéria. Antes mesmo da chegada da Covid-19, o exército nigeriano já estava sobrecarregado pelo conflito.

Os soldados passaram a fazer o trabalho das forças policiais, que são mal treinadas, estão sobrecarregadas e têm poucos recursos. A polícia também se responsabiliza pelos bloqueios impostos em todo o país.

Diante do atual cenário, cresceram os ataques intercomunitários, os sequestros e o roubo de gado.

Assistência

Segundo as Nações Unidas, são necessários US$ 182 milhões para sustentar a ajuda no país mais populoso da África pelos próximos seis meses, principalmente entre as comunidades atingidas pelos conflitos no nordeste do país.

Os três estados nigerianos de Borno, Adamawa e Yobe, região conhecida como BAY, são os mais duramente atingidos por uma insurgência de uma década que se espalhou pela região do Lago Chade.

A ONU contabiliza que cerca de 7,9 milhões de pessoas, principalmente mulheres e crianças, precisam de assistência urgente.

Crise econômica

O país também vive uma crise após a queda no preço do petróleo, principal produto de exportação da Nigéria, causada pela pandemia do Covid-19. Mais de 60% da receita do governo vem do produto.

Mais de 3,8 milhões de pessoas que trabalham sobretudo no setor informal enfrentam a falta de emprego. O número pode aumentar para 13 milhões se as restrições permanecerem por um período maior.

“Em um país onde cerca de 90 milhões de pessoas vivem com menos de U$ 2 por dia, está é uma preocupação real. Os pobres dependem de um salário diário para se alimentar”, explica a porta-voz do PMA (Programa Mundial de Alimentos) Elisabeth Byrs.

Segundo os últimos dados divulgados pela OMS (Organização Mundial da Saúde), a Nigéria já registrou 16 mil casos confirmados da doença e 420 mortes.

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