África

Estado Islâmico encomendou morte de Abubakar Shekau, dizem agências de inteligência

Evidências apontam que ordem veio do núcleo do califado na Síria devido a ‘violência em demasia’ do líder do Boko Haram

Foram os próprios chefes do EI (Estado Islâmico) na Síria que determinaram a morte de Abubakar Shekau, líder do Boko Haram na Nigéria. O motivo: Shekau era “violento demais”, mesmo aos olhos dos extremistas islâmicos.

A confirmação veio através de uma gravação enviada a diferentes agências de inteligência ocidentais. No áudio, o líder do ISWAP (Estado Islâmico da África Ocidental), Abu Musab al-Barnawi, afirma que a morte obedeceu às ordens do novo chefe do EI, Abu Ibrahim al-Hashimi al-Qurashi.

“Shekau praticou um terrorismo inimaginável. Quantos ele matou?”, disse Al-Barnawi na gravação acessada pelo site nigeriano Humangle. “Quando chegou a hora, Alá colocou soldados corajosos para receber ordens do líder dos crentes”.

Estado Islâmico encomendou morte de Abubakar Shekau, dizem agências de inteligência
O líder do Boko Haram, Abubakar Shekau, em vídeo publicado pelo grupo em novembro de 2018 (Foto: Reprodução/Defense Post)

O líder do ISWAP também relata detalhes sobre a até então incerta morte de Shekau. Segundo ele, o líder do Boko Haram escapou de um primeira ataque na floresta de Sambisa, em maio.

Ele teria ficado cinco dias na selva até ser encontrado novamente, junto de seus companheiros. Ao rejeitar a oferta de rendição, o líder se explodiu removendo o estopim de uma granada, disse Al-Barnawi.

Formado por dissidentes do Boko Haram, o ISWAP se separou em 2016 devido a disputas pessoais e religiosas. O principal motivo teria sido a imprevisibilidade do líder morto. Ainda no áudio, Al-Barnawi acusa Shekau de realizar “ataques indiscriminados contra os crentes” e ser “muito violento”.

À frente do Boko Haram desde a formação do grupo, em 2002, Shekau ficou conhecido por não obedecer aos líderes da organização fundamentalista islâmica. Em 2014, seu nome veio à tona após sequestrar 276 meninas de Chibok, na conflituosa região de Borno, ao norte da Nigéria.

Morte deve enfraquecer Boko Haram

Analistas disseram ao portal latino Infobae que a morte de Shekau deve enfraquecer o Boko Haram e fortalecer o ISWAP – um grupo igualmente perigoso. É mais provável que os jihadistas se reaproximem para assumir o controle de Borno e da capital, Maiduguri.

O cumprimento da ordem do EI também sinaliza a subordinação do ISWAP aos chefes do califado da Síria e Iraque. Este fator pavimenta a insegurança na região, tendo em vista o sucesso do EI em executar Shekau em meio às incessantes caçadas do exército nigeriano ao líder jihadista.

Figura misteriosa, pouco se sabe sobre suas origens. Algumas fontes citam sua data de nascimento entre as décadas de 1960 e 1970, na aldeia de Shekau, estado rural de Yobe. O homem que viria a se tornar o maior pesadelo do governo nigeriano se mudou ainda criança para Maiduguri, capital de Borno.

No Brasil

Casos mostram que o país é um “porto seguro” para extremistas. Em dezembro de 2013, um levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino. Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos. Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram. Saiba mais.