África

Mudanças climáticas causam ‘desastre atrás de desastre’ na Somália, alerta Acnur

Entre janeiro e junho, 68 mil pessoas ficaram deslocadas pelas secas, e outras 56,5 mil, pelas enchentes

A Acnur (Agência da ONU para Refugiados) fez um alerta sobre o impacto das mudanças climáticas na vida da população da Somália. Segundo a entidade, períodos de chuva intensa e as consequentes enchentes se alternam com momentos de seca, causando destruição e morte e forçando o deslocamento de milhares de pessoas.

Somente no ano passado, ciclones e cheias deixaram mais de 1,3 milhão de somalis desabrigados. Neste ano, muitas regiões do país estão enfrentando condições de seca extrema e falta de água, enquanto outras áreas do país são atingidas por chuvas pesadas e sofrem com enchentes. 

Entre janeiro e junho, 68 mil pessoas ficaram deslocadas pelas secas, e outras 56,5 mil, pelas enchentes. Além disso, dados da ONU revelam que 359 mil foram forçadas a fugir do conflito e da insegurança na Somália. 

Mulher atravessa cena árida da Somália, em 2018 (Foto: PNUD Somália)

A Acnur ouviu o relato de Ayan Muude Adawe, que se mudou para a Somália fugindo da seca na Etiópia. O impacto do ciclone Gati, que atingiu a região de Puntland em novembro, foi para ela um teste de resiliência.

A refugiada contou que a força da água destruiu o abrigo e levou embora todos os seus pertences. A família foi retirada do local na manhã seguinte, mas o filho dela de quatro meses ficou doente e morreu. 

Ataque de gafanhotos 

A Acnur explica que os ciclones costumavam ser muito raros na região da Puntland. Porém, com a mudança climática, tornaram-se cada vez mais frequentes, ocorrendo quase todos os anos. Assim, muitas as pessoas que já estavam deslocadas devido aos conflitos na Somália “estão enfrentando desastre atrás de desastre, sem tempo ou recursos para conseguirem se recuperar”. 

O país já tem quase 3 milhões de deslocados internos, e a maioria vive em mais de 2 mil acampamentos espalhados por várias regiões. A Acnur e parceiros humanitários trabalham com o governo para fornecer serviços básicos aos deslocados. 

A agência diz que as expectativas para este ano não são boas: a ONU prevê que a pandemia de Covid-19, os impactos climáticos e as infestações de gafanhotos do deserto que destroem plantações colocarão, juntos, 2,8 milhões de somalis numa situação de insegurança alimentar extrema. 

Conteúdo adaptado do material publicado originalmente em inglês pela ONU News