África

RD Congo pretende rever acordo bilionário de mineração com investidores da China

Maior produtor mundial de cobalto e líder exploração de cobre na África, país entende que acordos atuais não são suficientemente favoráveis

O governo da República Democrática do Congo anunciou que vai revisar um bilionário acordo de mineração estabelecido com investidores da China. A informação foi confirmada pelo ministro das Finanças do país africano Nicolas Kazadi, de acordo com a agência Reuters.

Maior produtora mundial de cobalto e líder em exploração de cobre entre as nações africanas, a RD Congo entende que os acordos atuais não são suficientemente favoráveis ao país. A constatação partiu do presidente Felix Tshisekedi, em maio deste ano.

Mina de cobre em Kolwezi, na república Democrática do Congo (Foto: Dave Dyet/Flickr)

A China é dona de cerca de 70% dos acordos de mineração no país africano, depois de superar a concorrência de empresas ocidentais em grandes projetos. A situação levantou questionamentos quanto ao interesse dessas nações em comprometer a relação entre congoleses e chineses. A ponto de o embaixador da China afirmar que a RD Congo “não deve ser terreno de um conflito entre grandes potências”.

Uma comissão foi formada pelo governo para analisar os recursos disponíveis de uma reserva de cobre e cobalto sob exploração da empresa China Molybdenum Co.. Outros dois acordos, com as também chinesas Sinohydro Corp. e China Railway Group Limited, serão revisados.

A Sinohydro e a China Railway firmaram acordos ainda no governo anterior, do ex-presidente Joseph Kabila, para construção de estradas e hospitais. O investimento é parte da Nova Rota da Seda da China (BRI, da sigla em inglês Belt and Road Initiative), uma iniciativa da China para espalhar sua influência através do investimento em projetos de todo o mundo, voltados sobretudo a infraestrutura e transporte.

Os acordos porém, são bastante contestados pela falta de transparência. “Vimos que havia alguns problemas de governança no passado”, disse Kazadi. “Precisávamos de mais clareza no contrato, o tipo de financiamento que está por trás do investimento”, completou o ministro, destacando que a revisão dos acordos não se trata de uma “ameaça” e que os próprios chineses participarão do processo.

Acordo com Dubai

O ministro das Finanças também comentou a revisão de um acordo com a empresa estatal qatari DP World para desenvolvimento e exploração do Porto de Banana, na costa do Atlântico. O projeto, avaliado em mais de US$ 1 bilhão, foi alterado, e o governo local aumentou sua participação de 30% para 34%, e a parcela de royalties dos congoleses saltou de 5% para 15%.