Sob pecha de ‘segurança privada’, mercenários ganham espaço na África

Firmas militares contratadas são vista como vantajosas para governos na lida contra rebeldes da Líbia ao Zimbábue
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Apesar da ameaça da ONU (Organização das Nações Unidas) de banir a atuação de exércitos privados, o número de mercenários em países da África é o maior em anos, segundo especialistas. As informações são da revista inglesa “The Economist”.

Governos de diversas nações africanas optam pelo uso de mercenários contra grupos rebeldes, em vez de usarem a própria força. Enquanto soldados recebem pensões, mercenários normalmente são pagos por serviço.

Para os países africanos, essa pode ser uma saída para economizar com gastos com importação de equipamentos militares pesados, não muito usados contra terroristas.

Além disso, mercenários possibilitam que países a Rússia aleguem desconhecimento do uso de seus recursos em ações militares quase clandestinas no exterior.

Mercenários estão cada vez mais presentes na África
Mulher pede fim de conflitos na República Democrática do Congo (Foto: Eskinder Debebe/UN Photo)

Rússia

Nos anos em que a maioria dos países africanos se tornaram independentes, mercenários eram famosos por apoiar movimentos secessionistas e golpes de Estado.

No passado, governos ocidentais apoiavam mercenários que atendiam aos seus interesses comerciais. Hoje, a Rússia é um exemplo de país que encoraja a atuação desses grupos para ganhar influência.

O grupo russo Wagner foi contratado por diversos regimes africanos desgastados, como Sudão, República Centro-Africana e Guiné. Na Líbia, apesar do embargo da ONU, o grupo teria realizado entre 800 e 1,2 mil operações em apoio ao general rebelde Khalifa Haftar.

Ações na África

O governo de Moçambique é mais um dos que usa exércitos privados para combater a ação de rebeldes. No ano passado, para combater o grupo jihadista no país, o presidente Filipe Nyusi contratou o Wagner.

Após muitos de seus homens serem mortos, os mercenários russos se retiraram do país. No lugar, o governo contratou outra firma, a DAG, chefiada por um coronel que atuou no exército da Rodésia, situada no atual Zimbábue, e Estado não reconhecido entre 1965 e 1979.

Já na República Centro-Africana, em 2016, a França retirou suas tropas, dificultando as tentativas da ONU e de uma pequena missão de treinamento europeia de manter a ordem.

Apesar de as firmas militares privadas afirmarem que apenas preenchem lacunas na segurança e sem ela haveria caos, a atuação dos mercenários no país também não foi bem sucedida.

Na Nigéria, a atuação de uma firma sul-africana contra o Boko Haram gerou alguns ganhos. No entanto, o contrato foi cancelado pelo novo presidente, Muhammadu Buhari, afirmando que suas forças “terminariam o trabalho” sozinhas.

Mercenários de um grupo formado principalmente por ex-comandantes da era do Apartheid teria ajudado o governo da Angola a derrotar os rebeldes do UNITA. O grupo havia recebido financiamento da África do Sul.

Segundo a revista inglesa, apesar de se oporem aos mercenários, a ONU pode ter suavizado sua postura sobre o assunto nos últimos anos.

Agora, a organização conta com um código de conduta de como eles podem trabalhar e já usou seus serviços para ajudar na logística, neutralização de minas terrestres e treinamento de equipes de segurança.

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