África

Ataque atribuído a rebeldes islâmicos mata 19 pessoas em vilarejo na RD Congo

Ofensiva teria sido responsabilidade da ADF, organização ugandense por trás de milhares de mortes nos últimos anos

Pelo menos 19 pessoas morreram em uma operação supostamente executada por militantes islâmicos em um vilarejo no leste da República Democrática do Congo, disseram autoridades locais. O ataque ocorreu entre a noite de sexta-feira (27) e a madrugada de sábado (28). As informações são da emissora Voice of America (VOA).

Os rebeldes seriam ligados às ADF (Forças Democráticas Aliadas, da sigla em inglês). Eles saquearam casas e iniciaram incêndios em Kasanzi-Kithovo, perto do Parque Nacional de Virunga, na província de Kivu do Norte.

“Não sei para onde ir com meus dois filhos. Só Deus nos ajudará”, declarou Kahindo Lembula, que perdeu quatro parentes no atentado.

“Muro da Esperança” em Beni mostra apelo do povo congolês para por fim aos massacres de civis (Foto: Abel Kavanagh/Wikimedia Commons)

Autoridades e o grupo local de direitos humanos Cepadho (Centro para a Promoção da Paz, da Democracia e dos Direitos Humanos) atribuíram a culpa pela ofensiva às ADF, organização ugandense por trás de milhares de mortes no país africano nos últimos anos. Entretanto, nenhum grupo reivindicou a responsabilidade pelo ataque.

No começo de maio, o governo declarou lei marcial em Kivu do Norte e na província vizinha de Ituri, de modo a estancar a violência atribuída às ADF. Porém, o número de civis mortos só cresceu.

No começo deste mês, o presidente Felix Tshisekedi declarou que forças especiais dos Estados Unidos seriam enviadas para a região a fim de estudar a viabilidade de instalação de uma unidade anti-terrorismo para o enfrentamento à violência islâmica.

Lista negra

O grupo ADF foi colocado na lista de sanções financeiras em março por Washington, classificado como terrorista. A organização declarou publicamente ser um braço do Estado Islâmico (EI), que por sua vez assumiu a responsabilidade por alguns de seus ataques.

No entanto, um relatório divulgado em junho aponta que especialistas da ONU (Organização das Nações Unidas) afirmam não haver evidências de apoio direto do EI ao ADF.

Egito presta condolências

O Egito manifestou condolências à RD Congo após o ataque terrorista.

“O Egito afirma sua condenação a este ataque terrorista e expressa sua solidariedade e posição ao governo e ao povo da República Democrática do Congo neste doloroso incidente”, disse a nota publicada pelo jornal egípcio Daily News Egypt.