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Após ataque, Médicos Sem Fronteiras suspende atividades em El Salvador

Organização afirmou que retomará operações quando ataques forem esclarecidos e houver segurança para equipes

A organização internacional MSF (Médicos Sem Fronteiras) manteve as atividades suspensas em El Salvador após o anúncio da prisão de quatro suspeitos de atacar uma equipe em Ilopango, próxima à capital San Salvador, no domingo (31).

Segundo a polícia salvadorenha, entre os suspeitos detidos está um menor de idade. O órgão afirmou ao jornal “Diario El Salvador” que continua a investigação para apurar sua responsabilidade no caso.

Os detidos seriam parte do grupo armado que parou o veículo da Médicos Sem Fronteiras quando os profissionais iam atender uma chamada urgente por volta das 3h da manhã no horário local – 6h no horário de Brasília.

MSF mantém suspensão em El Salvador após prisão de suspeitos por ataque
Bandeira da organização humanitária Médicos Sem Fronteiras em Chicago, EUA, setembro de 2007 (Foto: CreativeCommons/Richard Roche)

Um médico, um motorista e auxiliar de enfermagem foram forçados a deixar o veículo, interrogados, ameaçados e agredidos. Eles conseguiram fugir e alegam ter sofrido ferimentos leves. As razões para o ataque não estão esclarecidas.

A Médicos Sem Fronteiras interrompeu as atividades no país até que o incidente seja apurado e o governo garanta a segurança das equipes, disse a agência em comunicado. Essa é a primeira vez que a organização suspende suas atividades desde o início das operações em El Salvador, em 2018.

Zonas vermelhas

Em El Salvador, a MSF atende as áreas conhecidas como “Zonas Vermelhas” nas regiões metropolitanas de San Salvador e Soyapango. Nos dois locais, guerras entre gangues inviabilizam o acesso a serviços básicos de saúde e primeiros socorros.

“Só em Soyapango existem mais de 190 Zonas Vermelhas”, relatou o coordenador da MSF em El Salvador, Luis Romero. “Quando seus moradores ligam para os postos de saúde, as equipes desligam o telefone ou dizem que não atenderão a urgência”.

O presidente salvadorenho, Nayib Bukele, condenou o ataque. Além do atendimento, a organização humanitária apoia vítimas de violência que precisam de cuidados médicos e psicológicos. O serviço opera 24 horas por dia, sete dias por semana.