Américas

Especialistas pedem mais esforços na luta contra a cólera no Haiti

Em nove anos de epidemia, cerca de 10 mil pessoas já morreram da doença no país

Um grupo de especialistas de direitos humanos pediu na última quinta (30) que o secretário-geral da ONU, António Guterres, “intensifique urgentemente os esforços” para ajudar as vítimas da epidemia de cólera que já matou cerca de 10 mil no Haiti.

A situação sanitária pode piorar no Haiti, agora sob ameaça do coronavírus, apontam os especialistas, não vinculados à entidade. O novo patógeno “pode dar um duplo golpe nas vítimas de cólera e suas famílias”, disseram. “Novas ameaças não podem mascarar os fracassos do passado e as violações em curso.”

O pedido parte dos Relatores Especiais, Especialistas (ou Peritos) Independentes e Grupos de Trabalho, que constituem coletivamente os “Procedimentos Especiais” do Conselho de Direitos Humanos.

Médico atendendo paciente com cólera em Porto Príncipe, no Haiti (Foto: Marco Dormino/UN Photo)

Sem indenização

Os especialistas apontaram ainda que a ONU reconheceu, há três anos, que seus agentes tiveram papel importante na propagação da cólera no país.

“Desde então, não pagou nenhuma indenização e seu esforço subsequente totalizou pouco menos que projetos simbólicos de desenvolvimento”, afirmaram.

A ONU teria levantado US$ 20,5 milhões dos US$ 400 mil almejados para a questão, mas gastou apenas US$ 3,2 milhões. “É decepcionante, após a perda de 10 mil vidas”, disseram os especialistas.

Houve ainda críticas em relação à escolha da ONU oferecer assistência comunitária, em vez de pagamento das indenizações em espécie.

Resposta

Aos especialistas, a porta-voz da ONU Stéphane Dujarric afirmou que a organização está revendo as preocupações levantadas por eles e que uma resposta seria dada.

As Nações Unidas afirmam que, desde que tomou posse, Guterres está comprometido em apoiar o povo do Haiti e a luta contra a cólera.

A organização ressaltou ainda que a comunidade internacional já investiu US$ 705 milhões no combate à cólera, incluindo mais de US$ 139 milhões mobilizados pelas Nações Unidas e suas agências.