Américas

Espionagem teria usado brechas de transparência sobre a saúde de Trump

Informações desencontradas seriam usadas em campanhas de desinformação para enfraquecer imagem dos EUA

A falta de transparência da Casa Branca sobre o estado de saúde do presidente Donald Trump, que teve a Covid-19, pode ter gerado repique nas campanhas de desinformação, criadas com informações via espionagem, afirmaram especialistas em segurança ao site Politico, dos EUA.

Opositores ao governo norte-americano no exterior teriam visto a contaminação de Trump e diversos aliados e membros de seu gabinete como uma oportunidade para criar dúvidas sobre a gravidade de seu caso.

O atual presidente, em campanha pela reeleição, era parte do grupo de risco. Tem 74 anos, pesa cerca de 100 quilos e tem IMC (índice de massa corpórea) de 30 – o que o categoriza como obeso, informou a britânica BBC.

Espionagem teria usado brechas de transparência sobre a saúde de Trump
Donald Trump em encontro na Casa Branca (Foto: The White House/Flickr)

A contaminação do presidente seria a ocasião ideal para não apenas gerar dúvidas a respeito de sua recuperação, como repassar a ideia de que o sistema de saúde norte-americano é pouco eficiente.

A meta seria colocar os EUA, líder global no número de mortes após 223 mil óbitos, como uma nação incapaz de lidar com a pandemia.

Um dos principais ativos dos serviços de inteligência estrangeiros é levantar informações acerca da saúde de pessoas ligadas ao alto comando das nações rivais, segundo os especialistas consultados pelo Politico.

Todos teriam espiões e fontes “em campo” para realizar a coleta dessas informações, base para relatórios de “‘planos e intenções’ de um governo estrangeiro”, afirmou ao site norte-americano Steve Hall, ex-chefe do posto de Moscou da CIA (Agência Central de Informações, do inglês).

Hall descartou a chance de que espiões chineses ou russos tiveram acesso ao hospital Walter Reed, em Washington, onde Trump foi tratado. Fontes já conhecidas e com acesso à Casa Branca seriam a opção mais razoável para ter acesso a informações, afirmou.

Para Hall, não seria surpreendente saber que governos como os da Rússia e da China têm acesso a informações muito antes do público dos EUA.

Espionagem teria usado brechas de transparência sobre a saúde de Trump
O presidente dos EUA, Donald Trump, em comício eleitoral no estado do Arizona, em outubro de 2016 (Foto: Flickr/Gage Skidmore)

De acordo com os especialistas consultados pelo site, tudo pode ser usado por outros países para garantir novas pistas. Conversas de Trump com líderes estrangeiros seriam usadas pela espionagem para observar se ele parecia abatido ou com falta de ar, por exemplo.

Para Mick Mulroy, ex-funcionário da CIA com passagens pelo Pentágono, os informes desencontrados a respeito da saúde presidencial também dão margem para que se invista na tese de caos no governo. A confusão gera “uma crise de confiança na cadeia de comando”, afirma.

Entre as informações confusas estavam a baixa no nível de oxigênio do presidente e as datas nas quais Trump supostamente teria alta. Também gerou questionamento a imagem do mandatário em público, de máscara e acenando para apoiadores dentro de um carro em Washington.

Países como China, Rússia ou Irã podem usar esse argumento, segundo o especialista. A meta seria fomentar campanhas nas redes sociais e diminuir a confiança dos norte-americanos no processo eleitoral.