O primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinyan, afirmou nesta quarta-feira (11) que o Azerbaijão autorizou a exportação de mercadorias armênias por meio de seu território, após garantias de alto nível relacionadas à abertura de rotas ferroviárias de trânsito. As informações são da Anadolu.
Segundo Pashinyan, as empresas do país devem considerar que a rota ferroviária de exportação pelo Azerbaijão está aberta. Ele declarou aos parlamentares que o governo recebeu garantias no mais alto nível para facilitar o transporte das mercadorias.

O premiê também informou que Yerevan apresentará nos próximos dias suas observações sobre o projeto de acordo denominado “Rota Trump” aos Estados Unidos. De acordo com ele, um estudo de viabilidade da iniciativa está em andamento.
No campo energético, Pashinyan afirmou que a Armênia ainda avalia opções para uma nova usina nuclear. As discussões com parceiros internacionais continuam, com o objetivo de assegurar que o projeto atenda aos interesses nacionais.
As declarações ocorrem após a assinatura, em Yerevan, de um acordo entre o governo armênio e o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, sobre a implementação de reatores modulares americanos.
Entenda a questão entre os países
O território de Nagorno-Karabakh era ocupado por uma maioria armênia cristã que declarou independência do Azerbaijão, país majoritariamente muçulmano, desencadeando uma guerra que foi de 1992 a 1994. O conflito causou 30 mil mortes e desalojou centenas de milhares de pessoas, com a reivindicação de independência dos armênios não sendo reconhecida por nenhum país.
Desde 1994, o enclave vinha sendo controlado por forças que o Azerbaijão alegava incluir tropas da Armênia, que sempre negou ter militares ali. Após um cessar-fogo estabelecido com a ajuda de Rússia, EUA e França, um novo conflito armado entre os dois países eclodiu em 2020 e durou 44 dias, com mais 6,5 mil mortos.
Um novo acordo de paz foi firmado, este mediado pela Rússia, no início de 2021. Mas ele sempre foi visto com desconfiança pela população armênia, até o ataque relâmpago do Azerbaijão em setembro de 2023, que terminou com uma rápida vitória dos invasores e culminou com a fuga de cerca de cem mil armênios, encerrando o conflito.