Ásia e Pacífico

Bachelet cobra ação por minoria rohingya e se diz ‘chocada’ com assassinato de ativista

Mohib Ullah lutava pelo fim das violações contra a população minoritária, que deixou Mianmar em meio à perseguição do governo local

A alta comissária da ONU (Organização das Nações Unidas) para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, manifestou “choque e tristeza” pelo assassinato do defensor de direitos humanos Mohib Ullah, que lutava contra as violações cometidas contra a população rohingya.

Nesta sexta-feira (1º), em Genebra, Bachelet divulgou comunicado no qual pede uma investigação rápida e eficiente sobre o crime. Ela prestou um tributo ao ativista, que classificou como “um defensor de direitos humanos excepcional, que, apesar de todos os riscos, continuou defendendo os direitos do seu povo”.  

Mohib Ullah era presidente da Sociedade para Paz e Direitos Humanos Arakan Rohingya. Ele foi morto a tiros na quarta-feira (29), por homens não-identificados, num campo de refugiados em Cox’s Bazar, sul de Bangladesh.

Refugiados rohingya no campo de refugiados Cox’s Bazar, em Bangladesh, em março de 2018 (Foto: UN Women/Allison Joyce)

O local, criado em 2017, abriga 750 mil rohingyas, que fugiram dos assassinatos em massa, estupros e perseguições atribuídos às forças de segurança de Mianmar.  

Durante anos, Ullah coletou informações sobre violações sofridas pela população rohingya no Estado de Rakhine, noroeste de Mianmar, e lutou por ação internacional em prol do seu povo. 

Em março de 2019, o defensor esteve no Conselho de Direitos Humanos da ONU, onde falou sobre a discriminação dos povos rohingya e explicou a situação vivida há décadas. Destacou que o povo tem sido “privados dos seus direitos básicos, incluindo acesso a nacionalidade, terra, saúde e educação”. 

Na ocasião, ele declarou que os rohingyas são “cidadãos de Mianmar”, mas não têm “identidade, etnia ou país”. A alta comissária afirmou que as palavras de Ullah foram “muito fortes e destacaram a situação terrível dos rohingya”. Ainda assim, quatro anos depois, essa população continua esperando por justiça e pela chance de voltar para casa“.

Conteúdo adaptado do material publicado originalmente pela ONU News