Ásia e Pacífico

Cazaquistão desiste de proibir ‘Borat’ e usa bordão para atrair turistas

“Very nice!”, ou muito bom, em inglês, virou slogan para o setor de turismo do país, localizado na Ásia Central

A proibição da primeira edição do filme “Borat”, em 2006, ficou para trás. Na sequência do longa estrelado por Sacha Baron Cohen, o Cazaquistão passou a usar o bordão do protagonista, “very nice!” (muito bom, em inglês) para atrair turistas estrangeiros.

Na nova peça publicitária lançada na segunda (26), atores reagem com a famosa frase de Borat aos mais variados pontos turísticos do país.

“Em meio a esta pandemia, os gastos com turismo estão suspensos. Então é bom ver o Cazaquistão aparecer na mídia”, disse o vice-presidente do conselho de turismo cazaque, Kairat Sadvakassov. “Não é da maneira mais agradável, mas é bom estar lá fora”.

Em entrevista ao jornal norte-americano “The New York Times”, Sadvakassov afirmou que, quando a Amazon lançou a continuação do longa, na sexta (23), o governo decidiu evitar a reação de 2006.

Há 14 anos, o governo chegou a publicar anúncios em vários jornais para refutar os “fatos” apresentados sobre o país na paródia. A ex-república soviética é retratada como um lugar machista, ultrapassado, antissemita e homofóbico ao extremo.

A ideia para a propaganda foi de Dennis Keen, um norte-americano casado com uma cazaque e dono de uma agência de turismo. “Eu tinha muito tempo disponível e não queria que meu filho recém-nascido tivesse vergonha do nosso país quando crescesse”, justificou ao “The Times”, de Londres.

Sátira polêmica

Questionado, Baron Cohen disse ao Times que escolheu o Cazaquistão pelo total desconhecimento da população norte-americana sobre o país.

“Como ninguém sabia nada, isso nos permitiu criar um mundo selvagem, cômico e falso. O verdadeiro Cazaquistão é um belo país com uma sociedade moderna e orgulhosa – o completo oposto da versão de Borat”, disse o ator.

Encarte promocional de Borat 2 (Foto: Reprodução/Amazon)

Outras questões, no entanto, não surtiram efeito tão positivo quanto a propaganda cazaque. No filme, o repórter Borat recebe a missão de levar um presente aos EUA e encontra um país bem diferente do de 2006.

Com imagens documentais do início das restrições à pandemia da Covid-19 nos EUA, o longa reúne imagens de norte-americanos homenageando o nazismo e a o ex-prefeito de Nova York e aliado próximo do presidente Donald Trump, Rudy Giuliani, em uma cena de assédio com a atriz Maria Bakalova.

Giuliani afirmou no Twitter que a cena foi “fabricada” e negou ter sido impróprio. “Tirem suas próprias conclusões”, afirmou Baron Cohen.