A Europa vive nesta semana uma das ondas de calor mais intensas já registradas para o mês de maio. Países como França, Reino Unido, Irlanda, Espanha, Itália e Áustria enfrentam temperaturas muito acima da média histórica, em um cenário que levou a Organização das Nações Unidas (ONU) a emitir um novo alerta sobre os efeitos da crise climática global. As informações são da France24.
Segundo o secretário-executivo da ONU para o clima, Simon Stiell, a atual onda de calor é um “lembrete brutal” dos impactos provocados pelas mudanças climáticas causadas pela ação humana.
“A ciência é clara: as mudanças climáticas estão tornando as ondas de calor mais frequentes e extremas”, afirmou Stiell em comunicado oficial.

França e Reino Unido batem recordes históricos
A França e o Reino Unido registraram nesta semana as temperaturas mais altas já observadas em maio. Em território francês, a média nacional chegou a 24,9°C, enquanto regiões do sul podem alcançar até 39°C nos próximos dias, conforme previsão do Météo-France.
No Reino Unido, além dos recordes de temperatura diurna, a região da Cornualha registrou uma “noite tropical”, quando os termômetros não baixam de 20°C. A mínima ficou em 21,4°C durante a madrugada.
Especialistas apontam que a chamada “cúpula de calor” está levando temperaturas típicas do auge do verão europeu para o fim da primavera, aumentando riscos à saúde pública e pressionando sistemas de emergência.
Mortes
As autoridades francesas confirmaram ao menos sete mortes relacionadas à onda de calor. Cinco delas ocorreram por afogamento, em meio ao aumento de pessoas buscando alívio em praias, rios e lagos.
No Reino Unido, quatro adolescentes morreram afogados desde o último domingo durante o período de altas temperaturas.
Além da Europa, a Índia também enfrenta calor extremo. Plataformas internacionais de monitoramento climático registraram temperaturas superiores a 43°C em dezenas de cidades indianas, enquanto incêndios florestais e casos de insolação mobilizam equipes de emergência.
Dependência de combustíveis fósseis
Para a ONU, os eventos climáticos extremos reforçam a necessidade de acelerar a transição energética global e reduzir o uso de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás natural.
Simon Stiell também afirmou que conflitos internacionais ligados à energia, incluindo a guerra no Oriente Médio, evidenciam os custos econômicos e sociais da dependência mundial dos combustíveis fósseis.
“O calor extremo já afeta vidas, economias e sistemas de saúde em diferentes partes do mundo”, destacou.
Mudanças climáticas ampliam frequência das ondas de calor
Relatórios científicos apontam que as mudanças climáticas elevam significativamente a frequência, a duração e a intensidade das ondas de calor em diversas regiões do planeta.
Nos últimos anos, a Europa tem enfrentado verões cada vez mais severos, com incêndios florestais, secas históricas e impactos diretos sobre agricultura, turismo e abastecimento de água.
Especialistas alertam que eventos extremos como o atual podem se tornar ainda mais comuns nas próximas décadas caso não haja redução nas emissões globais de gases do efeito estufa.