Coreia do Norte afirma que delegação de ‘educadores militares’ seguiu para a Rússia

Anúncio surge em meio à especulação de que Pyongyang enviaria soldados para reforçar as forças de Moscou na Ucrânia

Uma delegação de “educadores militares” da Coreia do Norte seguiu em direção à Rússia na segunda-feira (8), em meio às especulações de que Pyongyang forneceria soldados para reforçar as Forças Armadas russas na guerra contra a Ucrânia. O anúncio feito pela mídia estatal norte-coreana através da agência de notícias KCNA.

Pyongyang não deu maiores detalhes sobre o objetivo dos militares em território russo, se irão para ensinar ou aprender. “Uma delegação de educadores militares do Exército Popular Coreano liderada pelo Presidente da Universidade Militar Kim Il-sung, Kim Kum-chol, deixou Pyongyang por via aérea em 8 de julho para visitar a Rússia”, diz o texto.

Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte (Foto: Divulgação/kcnawatch.org)

A visita dos militares norte-coreanos parece inserida no contexto do acordo de defesa mútua firmado entre os líderes dos dois países durante a visita do presidente russo Vladimir Putin à capital da Coreia do Norte em junho.

De acordo com Pyongyang, o pacto se escora na defesa mútua. “No caso de qualquer um dos dois lados ser colocado em estado de guerra por uma invasão armada de um Estado individual ou de vários Estados, o outro lado fornecerá assistência militar e outras assistências com todos os meios em sua posse”, disse comunicado publicado pela KCNA no mês passado.

Entretanto, logo após o anúncio, o regime comunista afirmou que também enviaria soldados à Ucrânia para atuar na guerra, possivelmente em posições afastadas da linha de frente. Sugeriu que os enviados seriam membros de uma unidade de engenharia militar, mas o comunicado desta segunda não especifica se é este o caso da delegação liderada por Kim Kum-chol.

Na semana passada, um aliado de Putin disse que o acordo prevê ainda um “intercâmbio infantil”, com crianças russas enviadas para participar de acampamentos infantis norte-coreanos, enquanto o regime comunista enviaria jovens no sentido oposto.

O pacto significa um avanço considerável para a aliança, até então focada somente no fornecimento de armas por Pyongyang a Moscou. Enquanto equipa as tropas russas na guerra da Ucrânia, a Coreia do Norte tem acesso a produtos sancionados pelo Ocidente, recebendo, por exemplo, cargas de petróleo em quantidades superiores às permitidas.

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