Apenas 2,3% dos testes de Covid-19 na Venezuela são do tipo RT-PCR

Cerca de 80 mil retornaram ao país desde início da pandemia; testagem comum é a rápida, com maior taxa de erro
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A Venezuela realizou 16,5 mil testes de diagnóstico do coronavírus do tipo RT-PCR, método considerado mais eficaz para detectar a infecção. O número representa apenas 2,37% do total de testes realizados no país. As informações são do jornal venezuelano Efecto Cocuyo.

O Ocha (Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários) divulgou no último dia 22 um relatório que aponta que a Venezuela realizou 697 mil testes, a maioria deles rápidos, cujo resultado tem maior taxa de erro.

O documento informa que o laboratório do Instituto Nacional de Higiene Rafael Rangel, na capital Caracas, realiza cerca de 600 testes do tipo RT-PCR por dia. O local é o único credenciado para realizar o método.

De acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgados nesta segunda (1º), o país registrou 1,4 mil casos confirmados da doença e 14 mortes.

Apenas 2,3% dos testes de Covid-19 na Venezuela são do tipo RT-PCR
Amostra para teste colida pelo método RT-PCR (Foto: Hélia Scheppa/SEI-PE)

Fronteiras

O Ocha chamou atenção para a necessidade de oferecer diagnósticos conclusivos nos pontos de entrada para o país, com o intuito de evitar a propagação do vírus no território venezuelano.

Entre 6 de abril e 21 de maio, 45,9 mil pessoas retornaram ao país e 510 delas receberam diagnóstico positivo para a Covid-19. No entanto, segundo o escritório da ONU, algumas dessas pessoas receberam o diagnóstico após serem enviadas de volta aos seus estados.

O relatório indica ainda que mil pessoas retornaram diariamente ao país pelas fronteiras terrestres. Números oficiais indicam que, somando todas os meios de entrada, mais de 80 mil pessoas teriam retornado ao país em meio à pandemia.

Desafios

Segundo a agência da ONU, organizações humanitárias enfrentam dificuldades para atuar na Venezuela devido às restrições de circulação e acesso. A falta de combustível é um dos principais desafios para as organizações de ajuda humanitária.

Um sistema de abastecimento entre a ONU e o Ministério da Defesa foi estabelecido. O Ocha afirma estar tentando ampliar o alcance desse processo para outras entidades parceiras.

Há também interrupções no fornecimento de energia elétrica, água e gás de cozinha. Os cortes ocorreriam sobretudo no oeste do país e na região andina.

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