Brasil supera Espanha e França em número de mortes por Covid-19

País tem 4º maior número de mortes, que já se aproxima de 30 mil; imprensa estrangeira critica situação
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on email

Na última sexta (29), o Brasil ultrapassou a Espanha em número de mortes causadas pelo novo coronavírus. No domingo (31), o país superou também os franceses, e se tornou o quarto Estado com maior número de mortes causadas pela Covid-19.

O passo rápido da pandemia no Brasil gerou críticas da imprensa internacional. Na avaliação de repórteres e analistas estrangeiros, a crise institucional e a baixa colaboração entre lideranças brasileiras desempenharam papel fundamental para a deterioração da situação política, econômica e sanitária no país.

O diário britânico “Financial Times” destacou nesta terça (2) correlação entre a fuga massiva de capitais do país e “o medo dos investidores” do cenário, que oferece um cardápio de más notícias em quase todos os âmbitos.

O FT também publicou notícias e editoriais nos quais afirmam que o presidente Bolsonaro “está se autodestruindo” e “construindo condições para seu próprio impeachment”.

O jornal norte-americano “The New York Times” afirma que as atitudes de Bolsonaro durante a pandemia ampliam a sensação de que o presidente é um líder sitiado, com cada vez mais dificuldade para governar.

O Times aponta ainda para a situação da economia brasileira que, segundo especialistas, deve mergulhar em profunda recessão.

A agência de notícias Reuters destacou a participação de Bolsonaro em um protesto contra o STF (Supremo Tribunal Federal) no último domingo (31) sem o uso de máscaras, apesar da obrigatoriedade imposta pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha.

Segundo a Reuters, o presidente aprofunda a crise política no país, que já vive um dos piores surtos do coronavírus no mundo.

A agência destacou as queixas do presidente brasileiro à Corte por investigar a suposta interferência em nomeações na Polícia Federal, além da evidências de que blogueiros militantes façam uso de campanhas de desinformação, as chamadas fake news.

A emissora do Catar Al Jazeera apontou que, mesmo diante da situação gravíssima vivida pelo Brasil, o presidente Jair Bolsonaro permanece despreocupado.

A Bloomberg também vê piora da crise política após os últimos protestos. O veículo também destacou as aparições de Bolsonaro para cumprimentar seus apoiadores nas marchas em prol do governo, enquanto o número de casos e mortes pela Covid-19 só aumentam.

Brasil supera Espanha e França em número de mortes por Covid-19
Teste de diagnóstico de Covid-19 em Periperi, bairro de Salvador, Bahia (Foto: Bruno Concha/Secom)

Comparativo

Até esta segunda (1º), o Brasil registrava 29,3 mil mortes, de acordo com a Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. A França tem 28,8 mil mortes, enquanto a Espanha registra 27,1 mil.

Os números brasileiros aparecem atrás apenas do Itália, com 33,4 mil mortes; Reino Unido, que soma 38,5 mil óbitos; e dos Estados Unidos, onde 104 mil pessoas já morreram pela doença.

Em número de casos confirmados do vírus, a situação brasileira é ainda pior. O país está em segundo lugar no ranking, com 514,8 mil casos, atrás apenas dos Estados Unidos, com 1,7 milhões de casos confirmados.

No entanto, o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que o número real de casos pode ser 15 vezes maior devido a falta de testes.

Apesar das recomendações do ministério do próprio governo, o chefe de Estado continua indo às ruas da capital encontrar e abraçar apoiadores.

Por região

De acordo com dados do Ministério da Saúde, a região com o maior número de casos é o Sudeste, com 187,2 mil registros. Em seguida estão o Nordeste, com 179,4 mil, e o Norte, com 107,7 mil casos confirmados.

Também em relação ao número de óbitos, a região Sudeste é a mais afetada pela pandemia do coronavírus: são 13,8 mil óbitos. O ranking também é composto por Nordeste em segundo lugar, com 8,8 mil mortes, e o Norte, onde 5,6 pessoas morreram pela doença.

No entanto, a incidência por 100 mil habitantes é maior no Norte, seguido pelo Nordeste e pelo Sudeste. Ainda segundo a pasta, 206,5 mil pessoas já se recuperam da doença no Brasil.

Tags: