Cuba revê mudanças após ‘Dia Zero’, maior reforma econômica em 30 anos

Integração de duas moedas em Cuba aumentou salários, mas acelerou preços de alimentos e bens essenciais
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O governo de Cuba já está revendo as mudanças decretadas no ‘Dia Zero’, registrou o portal argentino Infobae. No aniversário de 62 anos da Revolução Cubana, no dia 1, o país caribenho realizou uma espécie de “unificação” monetária e cambial.

Até então, o país possuía na prática duas moedas: o peso cubano e o peso conversível cubano, cujo valor equivalia a um dólar norte-americano. Agora, ambas foram unificadas e, no novo câmbio, um dólar equivale a 24 pesos cubanos.

Analistas já veem a medida como a mais significativa na economia local desde o colapso da União Soviética, em 1991, principal parceira comercial da ilha à época.

Mas, além de elevar os salários e pensões, o aumento também puxou os preços de alimentos, bens e serviços – em meio a um aumento dos contágios ela Covid-19 e sanções dos EUA.

Boa parte da população se queixa de que, embora os pagamentos tenham aumentado, os preços cresceram em proporção ainda maior.

Governo de Cuba revê mudanças após 'Dia Zero', maior reforma em 30 anos
Monumento em homenagem a Che Guevara em Havana, capital de Cuba, em fevereiro de 2017 (Foto: WikiCommons/Robert Cutts)

Um exemplo é a passagem de ônibus, o meio de transporte mais comum no país. De 40 centavos de peso cubano (cerca de R$ 0,90), uma passagem passou a custar dois pesos (R$ 4,40) na capital, Havana.

“Minha pensão aumentou 1,3 vez, mas o Estado aumentou as coisas básicas até cinco vezes”, reclamou um cubano aposentado à Infobae.

Em resposta, autoridades já reduziram as tarifas de energia elétrica e outras ainda estão por vir, disse a ministra do comércio, Betsy Díaz. “Estamos revendo as insatisfações gerais”, disse ela.

A questão do transporte, porém, ficou em stand-by depois que o país proibiu a circulação em coletivos urbanos no sábado (9). Foi quando Havana confirmou 132 contágios de Covid-19, confirmou o portal OnCuba.

Reivindicação antiga

A escassez de moeda estrangeira e outros bens essenciais, além da contração de 11% na economia em 2020, forçaram uma reforma em Cuba após oito anos da primeira proposta.

Além do aumento de salários e preços, a mudança também prevê a retirada de grande parte dos subsídios concedidos pelo Estado a alimentos e serviços básicos, como água e luz.

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