Américas

Indígenas na América Latina vivem alto risco de infecção pelo Covid-19

Deslocados de suas regiões de origem, muitos carecem de assistência, equipamentos de proteção e saneamento

Muitas comunidades indígenas em deslocamento pela América Latina estão expostas à infecção pelo novo coronavírus sem que haja condições adequadas de saúde e saneamento, alertou o Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados).

De acordo com a agência, há cerca de 5 mil venezuelanos indígenas refugiados no Brasil, principalmente da etnia Warao. Existem também comunidades Eñapa, Kariña, Pemon e Ye’kwana.

No Brasil, o aumento no número de casos preocupa o comissariado. O país aparece em segundo lugar na lista de países com o maior número de infecções confirmadas, atrás apenas dos Estados Unidos. Já são 363 mil infecções e 22 mil mortes, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) desta terça (26).

Indígenas na América Latina sofrem com risco de infecção pelo Covid-19
Indígenas venezuelanos realocados para abrigo em Manaus (Foto: Alex Pazuello/Semcom)

Na Colômbia, vários grupos indígenas binacionais vivem perto da fronteira com a Venezuela. Sem documento que regularizem a residência na Colômbia, muitos deles enfrentam ameaças de grupos armados que controlam as áreas onde vivem.

O Acnur alerta que muitos desses indígenas vivem sem acesso a serviços de saúde e itens básicos como água limpa e sabão — necessários para medidas de prevenção contra o coronavírus.

Outros moram em locais apertados ou em assentamentos urbanos sem acesso a equipamentos de proteção. A desnutrição severa e a falta de alimentos também coloca o grupo em um risco maior ainda diante da pandemia do Covid-19. A Colômbia registrou 21,1 mil casos da doença e 727 mortes, segundo a OMS.

Subsistência e educação

Uma das medidas impostas por muitos países para frear a disseminação do coronavírus foi a restrição de circulação nas fronteiras, o que prejudica atividades de subsistência como a agricultura, venda de produtos e artesanato.

Sem meios de subsistência, muitos indígenas precisam ir às ruas tentar vender seus produtos, correndo o risco de serem infectados pelo vírus. Sem conseguir cumprir as medidas de isolamento, muitos ainda são discriminados.

As restrições impõem desafio ainda a educação dos grupos indígenas. A maioria não tem acesso à educação virtual durante o confinamento e a suspensão das atividades escolares.