Pandemia de Covid-19 pode levar a uma escassez global de seringas, alerta OMS

Com a necessidade de vacinar sete bilhões de pessoas com duas doses, "pode ocorrer" uma escassez de pelo menos um bilhão de seringas
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on email

Os esforços para aumentar a produção da vacinas contra a Covid-19 devem ser acompanhados pelo acesso às seringas necessárias para injetá-las. E isso pode levar inclusive a uma escassez global de agulhas para campanhas regulares de imunização no próximo ano, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Com base em um cenário em que cerca de sete bilhões de pessoas precisam de duas doses da vacina contra o coronavírus entre agora e 2023, a agência de saúde da ONU (Organização das Nações Unidas) disse que uma escassez de pelo menos um bilhão de seringas “pode ocorrer” se a fabricação não aumentar.

Lisa Hedman, conselheira sênior da divisão de Acesso a Medicamentos e Produtos de Saúde da OMS, alertou que uma geração de crianças pode perder as vacinas programadas, a menos que os fabricantes encontrem uma maneira de fazer mais seringas descartáveis ​​de uso único.

Cidadão do Mali é imunizado após chegada das vacinas à Covid-19 via iniciativa Covax em 31 de março de 2021 (Foto: UN Photo/Seyba Keita)

“Quando você pensa sobre a magnitude do número de injeções administradas para responder à pandemia, este não é um lugar onde podemos nos permitir atalhos, carências ou qualquer coisa que não seja a segurança total para pacientes e profissionais de saúde”, disse Hedman .

Segundo ela, mais de 6,8 bilhões de doses de vacinas Covid-19 estão sendo administradas globalmente por ano, o que é quase o dobro do número de vacinas de rotina entregues anualmente: “Infelizmente, a falta de seringas é uma possibilidade real, e aqui estão mais alguns números. A capacidade de produção global é de cerca de seis bilhões por ano para seringas de imunização, e fica bastante claro que um déficit em 2022 de mais de um bilhão poderia acontecer se continuarmos com os negócios como de costume”.

Hedman explicou, ainda, que a reutilização de seringas mesmo depois de esterilizadas não é aconselhável, pois as bactérias nocivas continuavam presentes. Também observou que as seringas são particularmente propensas a atrasos no transporte porque ocupavam dez vezes o espaço de uma vacina.

Nova onda

A OMS alertou na semana passada que todos os países da Europa e Ásia Central enfrentam uma ameaça real de ressurgimento do Covid-19 ou já estão lutando contra ela. O diretor regional do órgão para a Europa, Hans Kluge, disse que o ritmo atual de transmissão nos 53 países europeus regidos pela OMS é “de grande preocupação”.

De acordo com Kluge, os casos estão mais uma vez se aproximando de níveis recordes, com a variante Delta mais transmissível continuando a dominar a transmissão. “Estamos, mais uma vez, no epicentro”, disse Kluge, acrescentando que as taxas de internação por Covid-19 mais do que dobraram em uma semana.

Nas últimas quatro semanas, o continente viu um aumento de novos casos de 55%. Somente na semana passada, a Europa e a Ásia Central foram responsáveis ​​por 59% de todos os casos de Covid-19 registrados em todo o mundo, bem como de 48% das mortes relatadas.

Existem tendências crescentes em todas as faixas etárias, mas 75% dos casos fatais ocorrem em pessoas com 65 anos ou mais. Uma estimativa prevê que, se os países mantiverem essa trajetória, pode ocorrer mais meio milhão de mortes na Europa e na Ásia Central até 1º de fevereiro do próximo ano.

Kluge cita duas razões o este aumento: cobertura vacinal insuficiente e flexibilização das medidas de saúde pública e sociais. “Apesar dos casos quase recordes de Covid-19, as novas mortes estão em aproximadamente metade dos níveis máximos. Isso reflete os efeitos das vacinas que salvam vidas”, disse.

Conteúdo adaptado do material publicado originalmente em inglês pela ONU News

Tags: