Coronavírus

Quase 100% dos países viverão recessão em 2020, diz Banco Mundial

Pandemia causará queda de 3,6% na renda per capita e a pior recessão econômica desde a Segunda Guerra Mundial

A quase totalidade dos países do mundo terá retração na economia neste ano por conta da crise do novo coronavírus, segundo dado do Banco Mundial divulgado nesta terça (8). Pior que isso, apenas o pós-crise de 1929.

Em termos globais, a pandemia do novo coronavírus causará uma queda na renda per capita de 3,6% neste ano.

Os países mais afetados serão aqueles que têm sistemas de saúde fracos e precisam de financiamento externo. Também pesa a excessiva dependência de exportações de commodities ou de importação bens intermediários para a produção local, além de turismo e de comércio internacional.

O ano de 2020 também marca um novo recorde negativo. Não há registro de um número tão grande de países perdendo renda per capita ao mesmo tempo desde o início da série histórica usada pelo órgão, de 1870.

“Em diversos países, as recessões profundas desencadeadas pela Covid-19 provavelmente irão pesar no desempenho potencial por anos a fio”, aponta o relatório “Pandemia e recessão: a economia global em crise” divulgado nesta segunda (8).

Pós-guerra

Já a economia mundial deve enfrentar a pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial, com uma contração de 5,2%. A maior queda ocorrerá nas economias avançadas, com expectativa de 7%, e será menor entre as emergentes (2,5%).

A queda maior em países desenvolvidos se dá pela severa perturbação na demanda e na oferta interna, no comércio e nas atividades financeiras, segundo o relatório.

No entanto, o Banco Mundial estima que o impacto negativo irá desaparecer no segundo semestre do ano. O crescimento mundial irá se recuperar em 4,2% em 2021: 3,9% entre as economias avançadas e 4,6% entre as emergentes e em desenvolvimento.

Mesmo assim, o banco aponta que o cenário ainda é incerto e pode haver o agravamento da situação, como a possibilidade de uma pandemia de maior duração. Neste cenário, a economia poderia contrair 8% este ano e se recuperar em apenas 1% no ano que vem.

Renda per capita cairá em todas as regiões do mundo pela 1ª vez desde 1870
Comércio fechado em Recife (Foto: Andréa Rêgo Barros/PCR)

Piores quedas

O relatório do Banco Mundial aponta que Estados Unidos, países da Europa e Japão terão as piores quedas. Nos EUA, a contração econômica pode chegar a 6,1% em 2020, assim como no Japão. Para a área do euro, a produção pode cair 9,1% este ano.

“A recessão é única em vários aspectos e provavelmente será a mais profunda para as economias avançadas desde a segunda guerra”, disse Ayhan Kose, diretor do Banco Mundial. “É a primeira contração da produção nas economias emergentes e em desenvolvimento nas últimas seis décadas.”

Brasil

Na América Latina e Caribe, a previsão de declínio econômico é de 7,2%. No Brasil, a queda é ainda maior, chegando a 8%. O índice é maior que em outros países da América Latina, como a Argentina (-7,5%) e México (-7,3%).

Na América do Sul, apenas o Peru terá um resultado pior que o Brasil. A contração da economia peruana é projetada em 12%. O Banco Mundial prevê que, em 2021, a economia brasileira se recupere 2,2%

Diante do cenário negativo, a recomendação é de que os países promovam medidas políticas nos campos da saúde e da economia, incluindo iniciativas de cooperação internacional.

Países emergentes e em desenvolvimento devem ainda investir no fortalecimento do sistema de saúde público. Enfrentar a informalidade no mercado e promover reformas pró-crescimento após a crise também são vitais.