Na Rússia, editores de jornal estudantil são condenados por encorajar protestos

Grupo foi processado após publicar vídeo sobre as manifestações pela libertação de Alexei Navalny, em janeiro
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Um tribunal russo condenou quatro editores da revista estudantil online Doxa, na quarta (14), por “encorajar que menores participem de protestos” na Rússia. O grupo foi processado após publicar uma reportagem sobre as manifestações pela soltura do líder da oposição Alexei Navalny – movimento que Moscou classificou como “atividade ilegal”.

Civis foram às ruas em diversas cidades do país em apoio ao político a partir de 17 de janeiro, quando Navalny foi preso ao retornar da Alemanha, onde passou meses em recuperação após uma tentativa de assassinato por envenenamento.

Conforme a emissora VOA (Voice of America), os quatro editores não poderão sair de suas casas pelos próximos dois meses e estão proibidos de usar a internet. Antes do julgamento, a polícia invadiu os apartamentos dos editores em Moscou e as casas de seus pais. Agentes também reviraram o escritório da revista e apreenderam materiais.

Na Rússia, editores de jornal estudantil são condenados por encorajar protestos
Protestos pela libertação de Alexei Navalny na capital da Rússia, Moscou, em 23 de janeiro de 2021 (Foto: Twitter/Carl Bildt)

O advogado do grupo alega que Moscou decidiu processar a revista após a publicação de um vídeo que pedia pela liberdade de Navalny, ainda em janeiro. O material relatava que estudantes de escolas e universidades foram ameaçados de expulsão caso integrassem os protestos

“O vídeo não possui nenhuma chamada para ações ilegais”, disse um comunicado da revista. “Estávamos dizendo que os jovens não devem ter medo de expressar sua opinião. A pressão que a comunidade jornalística tem enfrentado não tem precedentes. Mas continuaremos a cobrir o que é importante para os jovens e a lutar por seus direitos”.

O órgão estatal de mídia da Rússia, Roskomnadzor, exigiu que a revista excluísse o vídeo, que já saiu do ar. As acusações podem levar a uma possível sentença de três anos de prisão.

Perseguição a jornalistas na Rússia

Com a condenação, os editores do Doxa – Armen Aramyan, Natalya Tyshkevich, Vladimir Metelkin e Alla Gutnikova – passam a integrar o processo criminal aberto pelas autoridades da Rússia contra o estrategista chefe de Navalny, Leonid Volkov.

Moscou acusa o assessor de encorajar menores a participares de manifestações não autorizadas, apontou o jornal britânico “Independent”. O grupo também entra para a lista de jornalistas e veículos de comunicação atingidos pela campanha de rejeição do Kremlin.

Estão na relação o repórter investigativo Roman Anin e o jornal independente Novaya Gazeta – ambos alvos de ataques após lançar reportagens com denúncias sobre a elite política da Rússia. Os profissionais, porém, têm apoiadores. Durante o julgamento dos editores do Doxa, dezenas de jovens levantaram cartazes pela libertação do grupo do lado de fora do tribunal.

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