Democracia no Mundo

Rússia desiste de banir Twitter, mas anuncia corte no tráfego da plataforma

Moscou puniu rede social depois que opositores veicularam mensagens antigoverno na sequência da prisão de Navalny,

O regulador de mídia da Rússia anunciou na segunda (5) que não proibirá o uso do Twitter no país, mas continuará a desacelerar a velocidade de acesso da rede social até maio. Segundo informações da RFE (Radio Free Europe), a medida vem na esteira de uma disputa sobre o conteúdo veiculado na plataforma.

Moscou defende que as chamadas para protestos políticos devem ser proibidos pela rede social norte-americana. Críticos ao Kremlin usaram o Twitter e YouTube para contornar a mídia estatal e divulgar mensagens antigoverno.

As manifestações ocorreram logo após a prisão do político opositor Alexei Navalny, em janeiro. Ele foi detido ao retornar à Rússia da Alemanha, onde passou meses de recuperação após uma tentativa de envenenamento.

Rússia desiste de banir Twitter, mas anuncia corte no tráfego da plataforma
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, então primeiro-ministro do país, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, janeiro de 2009 (Foto: World Economic Forum/Remy Steinegger)

O regulador estatal começou a reduzir o tráfego ainda em março, depois que a rede se recusou a remover conteúdos sobre os protestos. O órgão afirmou que não proibirá o acesso, mas alegou que a plataforma retirou 1,9 mil dos 3,1 mil posts com conteúdo censurado. O Twitter não confirmou a exclusão desses materiais.

Um tribunal russo cobrou uma multa de US$ 120 mil da rede pelas mensagens nas manifestações. O governo do presidente Vladimir Putin também iniciou uma campanha onde acusa suposto fracasso do Twitter na remoção de conteúdos de “pornografia infantil, incentivo ao uso de drogas e suicídio”.

A plataforma disse ter uma política de tolerância zero sobre tweets com teor violento ou criminoso. O governo russo reforça o controle da internet e mídias sociais desde os protestos antigovernamentais de 2012.

Putin pode seguir no poder até 2036

Além do cerco à mídia, Moscou agora garante ao presidente Vladimir Putin o direito de concorrer a mais dois mandatos consecutivos. Um referendo aprovou a emenda constitucional no ano passado e Putin assinou a lei na segunda (5), disse a rede alemã Deutsche Welle.

Na prática, o presidente russo pode permanecer no poder até 2036, quando o chefe de Estado terá 83 anos. Na lei anterior, Putin, no poder há mais de duas décadas, teria de renunciar após o fim de seu mandato, em 2024.

Forças da oposição acusam o presidente de abuso de poder com as emendas na Constituição russa. Se permanecer até 2036, o mandato de Putin ultrapassaria o de Josef Stalin – e o atual mandatário se tornaria o líder mais longevo no poder desde Pedro, o Grande, que comandou o país por 42 anos, entre 1682 a 1721.