Democracia no Mundo

Opositor de Putin, Dmitry Gudkov deixa a Rússia e se exila na Ucrânia

Fuga vem na esteira de ameaças de prisão por um suposto não pagamento de dívidas entre 2015 e 2017, escreveu o político

Opositor do presidente Vladimir Putin, Dmitry Gudkov deixou a Rússia neste domingo (6) e está exilado na Ucrânia, reportou a Deutsche Welle. A fuga ocorre depois da detenção do político, que anunciou o plano de se candidatar às eleições parlamentares, agendadas para setembro.

“Estou me aproximando de Kiev”, escreveu o político em um post no Facebook. “Terei de permanecer no exterior até a votação. Minha decisão tem o apoio de parentes e entes queridos, que também receberam informações sérias sobre ameaças e riscos”, pontuou.

Figura da oposição russa, Dmitry Gudkov se exila na Ucrânia
O político opositor do Kremlin, Dmitry Gudkov, no parlamento russo, junho de 2015 (Foto: Reprodução/Facebook/Dmitry Gudkov)

“Várias fontes próximas ao círculo da administração presidencial disseram que, se eu não sair do país, meu falso processo criminal irá adiante”, afirmou.

Gdkov ficou preso por 48 horas por não pagar dívidas de um contrato de arrendamento entre 2015 e 2017, na última terça-feira. Ele classificou as acusações como falsas. A acusação pode fazer com que o opositor ao Kremlin fique preso por até cinco anos, caso o tribunal o julgue culpado.

Golpe na oposição

A detenção é vista como o mais recente golpe de Vladimir Putin contra a oposição do país, antes da eleição parlamentar de 19 de setembro. O caso mais emblemático é o de Alexei Navalny, preso desde janeiro e impedido de concorrer no pleito.

Gudkov era parlamentar na Câmara Baixa, mas perdeu o mandato ao ser expulso do partido Just Russia, em 2013, após ajudar a organizar protestos contrários ao governo. Mais tarde, o político se uniu à oposição liberal russa e engrossou o coro contra Putin.

Moscou já proibiu mais de 30 grupos de ativismo civil sob a lei que criminaliza as chamadas “organizações indesejáveis”. O parlamento russo deve votar ainda neste ano outro projeto de lei que aumenta a punição a membros desses grupos. O Kremlin nega que as recentes prisões tenham relação política.