Ásia e Pacífico

Rússia está entre os ‘piores violadores’ da liberdade religiosa, aponta EUA

Classificação consta em relatório de comissão do Congresso dos EUA sobre liberdade religiosa no exterior

A Uscirf (Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional, em inglês) classificou a Rússia como um dos países que mais violam a liberdade religiosa no mundo. A lista também inclui Irã, Paquistão, Tadjiquistão, Turcomenistão e outros seis países, reportou a RFE (Radio Freee Europe).

O órgão foi criado pelo Congresso norte-americano para abordar a liberdade religiosa em todo o mundo. Em seu relatório anual, divulgado na última quarta (21), a entidade propõe que a Rússia, Índia, Síria e Vietnã sejam incluídos na lista de alerta – categoria reservada às nações que cometem violações “sistemáticas, contínuas e flagrantes” contra grupos religiosos.

Rússia está entre os 'piores violadores' da liberdade religiosa, aponta EUA
Igreja Ortodoxa da Rússia em Moscou, em registro de dezembro de 2016 (Foto: Divulgação/Pixabay/Jacqueline Macou)

Conforme o documento, as condições de liberdade religiosa se deterioraram em 2020 na Rússia. “O governo visa minorias religiosas tidas como não tradicionais com multas, detenções e acusações criminosas”, consta no relatório.

Moscou teria movido 188 processos contra testemunhas de Jeová e requisitado 477 buscas nas casas de membros banidos. Nas inspeções, agentes invadiam e vandalizavam os locais e incluíam interrogatórios com “requintes de tortura” sem investigação ou punição.

A religião é vista com desconfiança pela Rússia, onde predomina a Igreja Ortodoxa, defendida pelo presidente Vladimir Putin. Moscou baniu o grupo religioso em 2017 e o rotulou de extremista. O Departamento de Estado dos EUA classificou a decisão como “injusta”.

Lei anti-extremismo

O relatório aponta ainda que o Kremlin também usou sua lei anti-extremismo para “perseguir minorias religiosas, sobretudo muçulmanos”. Na região russa do Cáucaso do Norte, as forças de segurança “agiram com impunidade” ao prender e sequestrar suspeitos de manter vínculos com a militância islâmica, disse o documento.

Na Crimeia, península da Ucrânia ocupada por Moscou desde 2014, atividades religiosas pacíficas foram proibidas e 16 muçulmanos condenados à prisão por “extremismo e terrorismo”. O relatório afirma que as acusações são inverídicas.

Os países incluídos na relação podem receber sanções caso não melhorem seus registros. Além destes, estão na lista Afeganistão, Azerbaijão, Cazaquistão e Uzbequistão. As denúncias nesses países envolvem execuções sumárias por blasfêmia, conversões forçadas, discurso de ódio, estupros e casamentos forçados.