Brasileiros estão entre migrantes deportados pelos EUA para a Libéria

Migrantes enviados à África Ocidental pelo ICE relatam falta de informação sobre a deportação, distância das famílias e medo de retornar aos países de origem

A administração do presidente Donald Trump deportou para a Libéria migrantes de países como Brasil, Colômbia, Guatemala, Honduras e Venezuela, além de cidadãos de outras nações africanas. O grupo foi enviado ao país em 20 de agosto, em uma operação que levou 15 pessoas a Monróvia. As informações são da CBS News.

Segundo a reportagem, os deportados foram alojados em um hotel e afirmaram que não foram informados previamente de que seriam enviados para a África Ocidental. Alguns também disseram não ter tido oportunidade de contestar a deportação para um país com o qual não possuem vínculos.

Agente do ERO, unidade do ICE responsável por operações de fiscalização e remoção, patrulha um voo de deportação nos EUA (Foto: WikiCommons)

Entre os deportados está a brasileira Paola Ferreira dos Santos, de 21 anos. Ela contou que só descobriu o destino do voo quando o avião pousou em Monróvia. Outro deportado, o hondurenho Elvis Rodriguez Venturas, afirmou que seus quatro filhos vivem nos Estados Unidos e perguntam diariamente quando ele retornará ao Texas.

A maioria dos entrevistados havia obtido proteção legal nos tribunais de imigração americanos, que impedia a deportação para seus países de origem devido ao risco de perseguição ou tortura. Ainda assim, essas proteções não garantiam status migratório permanente nos Estados Unidos.

O governo liberiano afirma que os deportados podem solicitar asilo no país. No entanto, os migrantes entrevistados disseram não ter interesse em permanecer na Libéria e citaram a distância das famílias, as diferenças culturais, a pobreza e a falta de vistos de trabalho.

A Libéria concordou em receber até 1.200 deportados enviados pelos Estados Unidos. O país integra uma lista de mais de 30 nações que aceitaram receber pessoas deportadas no âmbito da política migratória do governo Trump.

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