Grupos sul-africanos contrários à imigração realizaram buscas de porta em porta em bairros de Joanesburgo nesta quinta-feira (9), entrando em residências onde suspeitavam que imigrantes sem documentos estivessem escondidos e entregando algumas pessoas à polícia. As informações são da Reuters.
A ação representa uma escalada nos protestos anti-imigração que vêm ganhando força no país e aumentando o temor entre comunidades estrangeiras. Em Alexandra, um bairro de Joanesburgo, um repórter da Reuters testemunhou manifestantes arrombando portas e entrando em casas em busca de imigrantes.

Algumas pessoas foram escoltadas pelos manifestantes até viaturas policiais. Entre os detidos estavam uma mulher e uma criança pequena do Malaui. Outro homem abordado afirmou que vivia legalmente na África do Sul.
“Sou titular de um ZEP”, declarou o cidadão zimbabuano Total Mhlanga, em referência à Permissão de Isenção do Zimbábue, documento que autoriza dezenas de milhares de cidadãos daquele país a morar e trabalhar legalmente na África do Sul.
Marchas semanais e pressão por deportações
Em Soweto, outro importante bairro de Joanesburgo, manifestantes anti-imigração marcharam pelas ruas carregando paus e bandeiras. Panfletos distribuídos antes do protesto anunciavam uma “marcha pacífica” seguida por visitas “de porta em porta” para procurar estrangeiros sem documentação.
Uma manifestação semelhante também ocorreu em Durban, na costa leste sul-africana.
O movimento ganhou força em meio ao alto desemprego no país. Grupos anti-imigração afirmam que estrangeiros são responsáveis por parte dos problemas econômicos da África do Sul e defendem medidas como maior controle das fronteiras, deportações em massa e prioridade para sul-africanos no acesso a escolas e serviços de saúde.
A principal liderança do movimento, a ex-apresentadora de rádio Jacinta Ngobese-Zuma, afirmou que os protestos serão realizados todas as quintas-feiras até que as reivindicações sejam atendidas.
O grupo March and March, liderado por ela, tem colocado os imigrantes sem documentação no centro do debate sobre segurança, emprego e serviços públicos.
“Estamos indo de porta em porta para expulsar estrangeiros”, afirmou o líder comunitário Bongani Msomi durante a manifestação em Alexandra.
Governo alerta contra perseguições
O presidente Cyril Ramaphosa advertiu contra a tentativa de atribuir aos imigrantes a responsabilidade por problemas históricos e estruturais da África do Sul.
O governo sul-africano também reforçou que cidadãos comuns não têm autoridade para realizar fiscalização migratória ou assumir funções das forças de segurança.
A polícia aumentou as operações contra imigrantes sem documentos em resposta aos protestos e reforçou a presença de agentes durante as manifestações para evitar conflitos.
Milhares deixam a África do Sul
A tensão já provocou movimentos de retorno de estrangeiros aos países de origem.
O governo do Malaui informou que mais de 38 mil cidadãos retornaram da África do Sul nas últimas semanas em um esforço de repatriação motivado por preocupações com a segurança.
No Zimbábue, país vizinho, mais de 60 mil pessoas também voltaram ao território nacional.
A África do Sul abriga milhões de imigrantes de países vizinhos e enfrenta há anos episódios de violência xenófoba, em meio a uma combinação de desemprego elevado, desigualdade social e disputa por oportunidades econômicas.