Onze países alertam sobre rede secreta de trabalhadores de TI da Coreia do Norte que financia programa nuclear

Grupo internacional afirma que profissionais norte-coreanos usam identidades falsas para conseguir empregos remotos, arrecadar recursos para Pyongyang e acessar dados sensíveis de empresas.

Onze países divulgaram um alerta conjunto sobre as operações globais de trabalhadores de tecnologia da informação ligados à Coreia do Norte. Segundo o comunicado, esses profissionais utilizam identidades falsas para conseguir empregos remotos em empresas estrangeiras e gerar receitas que ajudam a financiar os programas nuclear e de mísseis balísticos de Pyongyang. As informações são da NK News.

O documento foi emitido por Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, Austrália, Canadá, França, Alemanha, Itália, Holanda, Nova Zelândia e Reino Unido. Os países integram a Equipe Multilateral de Monitoramento de Sanções (MSMT, da sigla em inglês), criada em 2024 para acompanhar a implementação das sanções internacionais contra o regime norte-coreano.

Norte-coreanos utilizam computadores em imagem divulgada pela mídia estatal (Foto: WikiCommons)
Esquema global

De acordo com o alerta, a Coreia do Norte mantém uma rede internacional de profissionais qualificados em tecnologia que atuam remotamente para empresas ao redor do mundo. Esses trabalhadores utilizam documentos falsificados, intermediários e ferramentas digitais para ocultar sua verdadeira identidade e localização.

As autoridades afirmam que os recursos obtidos com esses empregos são direcionados para programas estratégicos do governo norte-coreano, incluindo o desenvolvimento de armas nucleares e mísseis.

Além da obtenção de renda, o relatório destaca riscos de segurança para as empresas contratantes, incluindo acesso indevido a dados corporativos, informações confidenciais e ativos digitais.

Uso de IA

O comunicado aponta que agentes ligados ao esquema têm utilizado cada vez mais recursos de inteligência artificial para tornar mais difícil a identificação de suas atividades.

Segundo os países signatários, a tecnologia permite criar perfis profissionais mais convincentes, manipular imagens e documentos e ampliar a capacidade de atuação em diferentes mercados de trabalho.

As autoridades também alertam para o uso de redes privadas virtuais (VPNs), softwares de acesso remoto e contas bancárias de terceiros para ocultar rastros das operações.

Sinais de alerta

O grupo internacional recomendou que empresas reforcem os processos de verificação de identidade durante contratações remotas.

Entre os principais sinais de alerta apontados estão documentos adulterados, alterações frequentes em informações de contas, acessos realizados a partir de múltiplos endereços IP, recusa em participar de entrevistas por vídeo e pedidos de pagamento em criptomoedas.

O comunicado também menciona a atuação de intermediários responsáveis por participar de entrevistas, administrar contas online e até operar chamadas “fazendas de laptops”, estruturas utilizadas para mascarar a localização real dos trabalhadores.

Sanções

Os países destacaram que a Resolução 2397 do Conselho de Segurança da ONU exige a repatriação de cidadãos norte-coreanos que obtenham renda no exterior. O alerta também lembra que empresas que realizam pagamentos a esses trabalhadores podem correr o risco de infringir legislações nacionais relacionadas a sanções internacionais.

Segundo o Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI), a Coreia do Norte continua classificada como um país de alto risco para lavagem de dinheiro e financiamento da proliferação de armas.

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