Putin ainda é tão popular na Rússia? Uma nova pesquisa levanta dúvidas

Uma pesquisa que deixou os russos livres para responder aponta que Putin pode ter bem menos apoio do que mostram as pesquisas oficiais

Pesquisas com perguntas abertas indicam que o nível real de confiança dos russos em Vladimir Putin pode estar muito abaixo dos índices de 68% a 70% apresentados por sondagens tradicionais. Em duas regiões da Rússia, o chefe do Kremlin foi citado como o político em quem os entrevistados mais confiam por apenas 39% e 37% dos participantes. As informações são do The Moscow Times.

O levantamento foi realizado nas regiões de Krasnodar e Rostov pelo Instituto de Estudos e Análises de Conflitos da Rússia. Diferentemente das pesquisas convencionais, os entrevistados não receberam uma lista de nomes para escolher. Eles precisaram responder espontaneamente à pergunta sobre qual político ou estadista russo mais confiavam.

O resultado foi significativamente diferente dos índices divulgados por pesquisas que perguntam diretamente aos entrevistados se eles confiam em Putin. Na região de Krasnodar, o presidente russo foi citado por 39% dos entrevistados. Em Rostov, o índice foi de 37%.

(Foto: WikiCommons)

A diferença ganha importância porque pesquisas tradicionais de confiança em Putin chegaram a registrar índices próximos de 70%. Segundo a análise apresentada pelo instituto, perguntas fechadas podem levar os entrevistados a escolher aquilo que consideram uma resposta socialmente aceitável, especialmente em um ambiente político marcado pela repressão e pelo controle da informação.

Jovens confiam menos

A diferença entre gerações também aparece nos resultados. Entre os entrevistados com menos de 30 anos, Putin foi citado como o político em quem mais confiam por apenas 24% dos participantes na região de Krasnodar e 16% na região de Rostov.

Entre os moradores com 55 anos ou mais, os índices foram muito superiores: 48% em Krasnodar e 45% em Rostov.

Os dados sugerem, portanto, uma diferença geracional importante na relação dos russos com o presidente. A distância também aparece quando são comparados moradores de grandes cidades e a população de outras áreas. Segundo a pesquisa, habitantes dos grandes centros são menos propensos a apontar Putin como o político em quem mais confiam e mais propensos a afirmar que não confiam em nenhum político.

Metodologia

A metodologia também ajuda a explicar por que pesquisas com perguntas abertas deixaram de aparecer regularmente nos levantamentos da VTsIOM, um dos principais institutos de pesquisa de opinião da Rússia.

Quando o instituto utilizou esse formato, em abril de 2026, apenas 29,5% dos entrevistados declararam confiar em Putin. O resultado ficou muito abaixo dos índices obtidos quando os entrevistados recebem opções de resposta.

Além de Putin, nenhum outro político ou figura pública chegou perto de uma fração significativa de sua popularidade nas duas regiões analisadas. O ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, foi o único a ultrapassar 2% das menções, chegando a 4% em Rostov.

Outro dado chama atenção: a parcela de entrevistados que afirmou não confiar em nenhum político, ou que não quis ou não pôde responder, superou a parcela que citou Putin nas duas regiões. O índice foi de 44% em Krasnodar e 47% em Rostov.

Apoio à guerra

A diferença entre confiança declarada e confiança real pode ter implicações para a continuidade da guerra contra a Ucrânia. Um cidadão pode declarar apoio ou confiança em Putin sem necessariamente estar disposto a assumir os custos pessoais de uma guerra prolongada.

Essa distinção se torna particularmente relevante diante da possibilidade de novas mobilizações militares. Os moradores dos grandes centros urbanos, que aparecem entre os grupos menos propensos a citar Putin como o político em quem mais confiam, poderiam estar entre os mais afetados por uma nova convocação.

Para o Kremlin, manter elevados índices de confiança em Putin tem importância política. Em um sistema cada vez mais autoritário, números elevados ajudam a sustentar a imagem de apoio popular ao presidente e a transmitir a percepção de estabilidade do regime.

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