Quem vai mandar no Irã agora? Os nomes que disputam o trono mais poderoso da República Islâmica

Constituição prevê conselho interino e atuação da Assembleia de Peritos, mas bastidores indicam cenário mais complexo e pressão da Guarda Revolucionária

A morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, abriu uma das mais delicadas disputas políticas desde a Revolução Islâmica de 1979. A sucessão ocorre em meio a tensão regional, pressão internacional e incertezas internas sobre o equilíbrio de poder na República Islâmica. As informações são da Radio Free Europe.

Desde que assumiu o cargo em 1989, após a morte de Ruhollah Khomeini, Khamenei concentrou autoridade política, religiosa e militar. O líder supremo é a autoridade máxima do país, com controle sobre as Forças Armadas, o Judiciário e decisões estratégicas de Estado.

Mojtaba Khamenei, filho do líder falecido (Foto: WikiCommons)
Quem escolhe o novo líder supremo do Irã?

Oficialmente, a escolha cabe à Assembleia de Peritos, composta por 88 clérigos eleitos. O órgão tem a responsabilidade constitucional de nomear e supervisionar o líder supremo.

Quando o cargo fica vago, a Constituição determina a formação de um conselho interino. Atualmente, esse grupo inclui o presidente Masud Pezeshkian, o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei, e o clérigo Alireza Arafi, escolhido como terceiro membro.

O conselho administra o país até que a Assembleia de Peritos anuncie oficialmente o novo líder.

Principais nomes cotados para a sucessão

Entre os nomes mencionados nos bastidores está Alireza Arafi, que também integra o Conselho dos Guardiães, órgão responsável por validar leis e candidaturas eleitorais.

Outro nome frequentemente citado é Sadeq Larijani, figura conservadora com forte presença em instituições estratégicas do regime.

Também aparece nas especulações Mojtaba Khamenei, filho do líder falecido. Apesar de rumores antigos sobre uma possível sucessão familiar, integrantes da Assembleia já indicaram que Khamenei era contrário a um modelo hereditário.

O papel da Guarda Revolucionária na sucessão

Um dos fatores decisivos pode ser o posicionamento do Corpo da  temida Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), instituição militar oficial da República Islâmica. A instituição tem influência militar, política e econômica significativa e foi uma das principais bases de sustentação do regime nas últimas décadas.

Analistas apontam que qualquer sucessor precisará manter apoio sólido da Guarda Revolucionária para garantir estabilidade interna.

Impacto regional

A sucessão acontece em meio a tensões com Israel e Estados Unidos, além de sanções econômicas e pressões diplomáticas. Uma mudança no topo do regime pode alterar a política externa iraniana, especialmente em temas como programa nuclear, alianças regionais e relações com o Ocidente.

Especialistas avaliam que, embora o sistema tenha mecanismos institucionais definidos, a escolha final dependerá de negociações internas complexas entre clérigos, militares e elites políticas.

Tags: