A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que a usina nuclear de Zaporizhzhia está operando com apenas uma linha externa de fornecimento de energia, após a perda da linha de reserva de 330 kV. O alerta foi feito pelo diretor-geral da entidade, Rafael Grossi, que destacou os riscos persistentes à segurança nuclear em meio à guerra na Ucrânia. As informações são da Anadolu.
Segundo comunicado oficial, a linha de reserva Ferosplavna-1 foi desconectada em 10 de fevereiro, supostamente devido a atividade militar nas proximidades da subestação vinculada à Usina Termelétrica de Zaporizhzhia. Com isso, a central nuclear passou a depender exclusivamente da linha externa de 750 kV Dniprovska para manter seus sistemas essenciais de segurança.

A usina nuclear de Zaporizhzhia é considerada a maior da Europa e uma das dez maiores do mundo. Desde março de 2022, a instalação está sob controle russo, enquanto técnicos da AIEA permanecem no local desde setembro do mesmo ano para monitoramento contínuo.
Rafael Grossi afirmou que a situação evidencia a “vulnerabilidade contínua da usina e os riscos persistentes à segurança nuclear”. Ele também informou que entrou em contato com Rússia e Ucrânia propondo um cessar-fogo temporário para permitir a avaliação técnica e a realização de reparos.
De acordo com a AIEA, equipes da agência seguem solicitando acesso à subestação afetada para avaliar os danos diretamente, mas enfrentam restrições de segurança. A entidade já intermediou quatro acordos de cessar-fogo que possibilitaram cinco reparos anteriores em linhas de energia conectadas à planta.
O cenário mantém elevada a tensão internacional em torno da segurança nuclear na Ucrânia, especialmente diante das acusações mútuas entre Moscou e Kiev sobre ataques nas proximidades da usina.
Insegurança
Apesar de os prédios que abrigam os seis reatores da maior usina da Europa serem revestidos de concreto armado, o que garante resistência, segundo especialistas, não há usina nuclear civil no mundo projetada para uma situação de guerra. A AIEA conta com uma equipe de especialistas dentro da usina desde setembro de 2022
A curto prazo, a maior preocupação é a de que um corte no fornecimento de eletricidade para a usina pode derrubar os sistemas de refrigeração, essenciais para a operação segura dos reatores.