Canal do Panamá prepara expansão bilionária e Brasil pode ganhar espaço em nova rota comercial

Projeto de US$ 8,5 bilhões prevê novos terminais portuários e um gasoduto entre os oceanos. País já movimenta 5,8 milhões de toneladas de cargas por ano em rota ligada ao canal

O Canal do Panamá prepara uma expansão bilionária para ampliar sua participação no comércio internacional. O projeto prevê novos terminais de contêineres, infraestrutura energética e integração logística entre os oceanos Atlântico e Pacífico. A transformação também interessa ao Brasil, que busca ampliar suas conexões comerciais com mercados da Ásia e da América do Norte.

Em reportagem publicada nesta quarta-feira (4), a Reuters informou que a administração do canal pretende anunciar até o final de 2026 as empresas pré-selecionadas para disputar dois novos terminais portuários. Entre os possíveis interessados estão gigantes do transporte marítimo como Maersk e MSC.

Os terminais fazem parte de um plano de investimentos de US$ 8,5 bilhões para transformar o Panamá em um centro logístico e energético. A construção das duas instalações poderá atrair US$ 2,6 bilhões, enquanto outro projeto prevê um gasoduto para transportar gás liquefeito de petróleo (GLP) entre as regiões próximas aos dois oceanos, com investimento estimado entre US$ 4 bilhões e US$ 8 bilhões.

Canal do Panamá (Foto: WikiCommons)

A previsão é que as concessões portuárias sejam definidas em 2027 e as novas estruturas comecem a operar entre 2030 e 2031.

A iniciativa ocorre em um momento de recuperação da hidrovia. Segundo a Autoridade do Canal do Panamá, foram registradas 13.951 travessias no ano fiscal de 2026, encerrado em setembro, crescimento de 4,1% em relação ao período anterior. O volume transportado chegou a 521 milhões de toneladas pelo sistema de medição do canal, alta de 6,5%.

Apesar da recuperação, a disponibilidade de água continua sendo um desafio. A seca provocada pelo El Niño em 2023 e 2024 obrigou a administração a restringir o número de embarcações autorizadas a atravessar diariamente a hidrovia. O episódio provocou atrasos, aumento de custos e mudanças nas rotas marítimas. A construção de um novo reservatório também integra a estratégia para garantir o funcionamento da estrutura nos próximos anos.

Para o Brasil, a expansão abre uma possibilidade de integração comercial. Em janeiro de 2026, durante uma missão oficial ao Panamá, os governos dos dois países assinaram um acordo de cooperação logística que prevê estudos para a criação de um corredor marítimo verde.

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a rota entre Brasil e Canal do Panamá movimenta aproximadamente 5,8 milhões de toneladas de cargas por ano. A parceria prevê iniciativas de descarbonização do transporte marítimo, modernização tecnológica e capacitação profissional.

A disputa por infraestrutura também tem dimensão geopolítica. A presença de empresas chinesas em instalações portuárias próximas ao canal provocou questionamentos de Washington e abriu uma disputa envolvendo interesses comerciais e estratégicos. Em 2026, a Suprema Corte panamenha declarou inconstitucionais concessões portuárias operadas pela CK Hutchison, de Hong Kong, decisão contestada pela companhia.

O episódio reforça a importância do Panamá para a competição entre Estados Unidos e China por influência sobre as principais rotas comerciais do planeta.

Para o Brasil, o desafio será transformar a aproximação diplomática em ganhos concretos de logística e competitividade. A ampliação da capacidade portuária panamenha pode criar novas oportunidades para exportadores brasileiros, mas os benefícios dependerão dos custos de transporte, da disponibilidade de rotas e da eficiência dos portos envolvidos.

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