Quase metade das candidaturas a vagas remotas de TI nos EUA tem sinais de fraude norte-coreana

A análise da startup Endorsed aponta aumento expressivo de candidaturas suspeitas, com falsos profissionais usando identidades e históricos aparentemente legítimos para conseguir empregos em empresas americanas

Uma análise da startup americana Endorsed identificou sinais associados a esquemas de trabalhadores de TI norte-coreanos em 47% das candidaturas a vagas remotas de tecnologia nos Estados Unidos no trimestre mais recente. As informações são da Fortune.

A empresa analisou uma amostra de 175 mil candidaturas feitas em 2026. O levantamento aponta que a proporção de candidatos com esses padrões de risco aumentou de 11% no terceiro trimestre de 2024 para 44% um ano depois.

Segundo David Head, CEO da Endorsed, os candidatos suspeitos costumam construir perfis aparentemente comuns, usando informações reais sobre cidades, universidades e grandes empresas americanas para dificultar a identificação.

Norte-coreanos utilizam computadores em imagem divulgada pela mídia estatal (Foto: WikiCommons)

O Texas foi o Estado mais citado nas candidaturas sinalizadas, respondendo por 26,5% dos casos. Califórnia e Flórida apareceram na sequência. Dallas, Austin e Houston estavam entre as cidades mais mencionadas.

Entre as universidades citadas com maior frequência estavam a University of North Texas e a University of Texas at Austin. Amazon, Google, Meta e Microsoft também aparecem entre os empregadores anteriores alegados pelos candidatos.

A Endorsed ressalta, porém, que nenhuma dessas características, isoladamente, indica fraude. A identificação depende da combinação de inconsistências e outros sinais de risco.

Como funciona

Trabalhadores norte-coreanos utilizam identidades falsas para conseguir empregos, principalmente em funções remotas de tecnologia. Os rendimentos obtidos podem ser direcionados ao regime de Pyongyang e ajudar a financiar seus programas de armas, segundo autoridades americanas e organismos internacionais.

O esquema também pode envolver facilitadores nos Estados Unidos. Em abril, um homem de Nova Jersey foi condenado a nove anos de prisão por participar de uma operação que colocou trabalhadores norte-coreanos em mais de 100 empresas americanas.

A Endorsed afirma que sua plataforma cruza informações biográficas com dados de dispositivos, redes, documentos e comportamento. As suspeitas identificadas pelo sistema passam por análise humana antes de uma decisão.

O próprio CTO da empresa, Kevin Fu, acabou coincidindo com vários dos padrões encontrados: cresceu na região de Dallas, estudou na University of Texas at Austin e trabalhou no LinkedIn, que pertence à Microsoft.

“Já o verificamos com a Endorsed. E posso confirmar que ele é legítimo”, brincou Head.

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