A refinaria de Moscou, uma das principais unidades de processamento de petróleo da Rússia, pode permanecer fora de operação até 2027. A previsão foi divulgada pela Reuters nesta quarta-feira (24), após ataques de drones ucranianos atingirem estruturas estratégicas da instalação neste mês. As informações são do The Moscow Times.
A refinaria é operada pela Gazprom Neft e fica ao sul de Moscou. Fontes do setor ouvidas pela agência afirmaram que os danos exigirão pelo menos seis meses de reparos.
Os ataques ocorreram em 16 e 18 de junho. No primeiro episódio, uma unidade de destilação responsável por 53% da capacidade da refinaria teria sido danificada. Dois dias depois, outro ataque teria atingido uma unidade Euro+, mais moderna, que responde pelos 47% restantes. Com isso, toda a capacidade de processamento da refinaria teria sido comprometida.

Refinaria processou 11,6 milhões de toneladas em 2024
Em 2024, a refinaria de Moscou processou 11,6 milhões de toneladas de petróleo. A produção incluiu 2,9 milhões de toneladas de gasolina e 3,2 milhões de toneladas de diesel, segundo dados citados pela Reuters.
A paralisação prolongada amplia a pressão sobre o mercado russo de combustíveis. As autoridades do país não comentaram publicamente a extensão dos danos na unidade operada pela Gazprom Neft.
A previsão de retomada apenas em 2027 depende do tempo necessário para recuperar as instalações atingidas. A Reuters informou que as fontes consideram difícil restabelecer a produção antes do fim deste ano.
Ataques pressionam mercado
A Ucrânia intensificou os ataques contra refinarias e oleodutos russos durante a primavera no Hemisfério Norte. As ofensivas fazem parte da estratégia ucraniana de atingir a infraestrutura energética da Rússia, usada para abastecer a economia e as operações militares do país.
Os ataques com drones já interromperam ou reduziram a produção em unidades responsáveis por uma parcela importante da gasolina russa. Em algumas regiões, o cenário levou à adoção de medidas de racionamento de combustíveis.
O preço médio da gasolina na Rússia subiu 6,6% desde o começo de 2026. Em 15 de junho, o valor médio nacional chegou a 69,11 rublos por litro, equivalente a US$ 3,56 por galão.
Kremlin avalia proibição de exportações de diesel
O vice-primeiro-ministro Alexander Novak afirmou na terça-feira (23) que o mercado interno de combustíveis vive uma situação “desafiadora, mas sob controle”.
Segundo Novak, o governo russo avalia proibir totalmente as exportações de diesel. A medida seria somada às restrições já existentes para vendas externas de gasolina e querosene de aviação.