A Síria e a Rússia chegaram a um acordo para mudar o status de duas instalações estratégicas que simbolizaram a presença militar de Moscou no Mediterrâneo durante o governo de Bashar al-Assad. O entendimento prevê que Damasco assuma o controle da base aérea de Hmeimim e do cais comercial do porto de Tartus. As informações são da CNN.
O acordo representa uma mudança importante na presença russa na costa síria e ocorre após a queda de Assad, em meio à tentativa do novo governo de reorganizar as relações internacionais do país.

Rússia perde função militar em duas bases na Síria
Hmeimim, localizada nas proximidades de Latakia, e Tartus, onde a Rússia mantinha uma importante instalação naval, foram fundamentais para a estratégia militar de Moscou no Oriente Médio.
As duas estruturas ganharam relevância durante a guerra civil síria, quando a Rússia se tornou o principal aliado militar de Assad. A partir de 2015, a intervenção russa ajudou o governo sírio a recuperar áreas importantes do território que estavam sob controle de grupos rebeldes.
Pelo novo acordo, a base aérea de Hmeimim e o cais comercial de Tartus passarão para a administração civil síria. As instalações militares existentes nos dois locais deverão ser convertidas em centros conjuntos de treinamento e qualificação.
O Ministério das Relações Exteriores da Síria classificou a mudança como uma reorganização da presença russa no litoral do país.
Queda de Assad mudou relação entre Síria e Rússia
A mudança ocorre após a derrubada de Bashar al-Assad, que governou a Síria por mais de duas décadas. Durante a guerra, Moscou foi um dos principais sustentáculos do regime, fornecendo apoio militar e político ao governo de Damasco.
Apesar disso, a Rússia não interveio para impedir a ofensiva que levou à queda de Assad. Após a mudança de governo, o ex-presidente sírio recebeu asilo na Rússia junto com sua família.
As tropas russas que permaneciam na Síria começaram posteriormente a deixar o país.
A nova liderança síria, comandada pelo presidente interino Ahmed al-Sharaa, procura manter relações com Moscou, mas também ampliar os vínculos diplomáticos e econômicos com países ocidentais e árabes.
Bases russas eram estratégicas para Moscou
A presença em Tartus tinha importância especial para a Rússia porque oferecia acesso naval ao Mediterrâneo. A instalação também representava uma das principais posições militares russas fora do antigo espaço soviético.
Hmeimim, por sua vez, serviu como principal plataforma aérea russa para operações na Síria e em outras áreas do Oriente Médio.
A transformação das instalações militares em centros de treinamento e a transferência da administração para o governo sírio indicam uma redução significativa do papel militar direto de Moscou no país.
Ao mesmo tempo, o acordo não significa necessariamente o rompimento das relações entre os dois governos. A própria diplomacia síria afirma que a reorganização das bases abre uma nova etapa nas relações entre Síria e Rússia.
Síria amplia relações com Ocidente e países árabes
Desde a queda de Assad, Damasco também vem buscando reconstruir relações com governos que se afastaram do país durante a guerra.
Os Estados Unidos suspenderam grande parte das sanções que afetavam a economia síria, enquanto países europeus passaram a ampliar o contato com a nova administração.
Em julho, o presidente francês Emmanuel Macron visitou Damasco e anunciou que França e Síria voltariam a nomear embaixadores, após 14 anos.
A aproximação com diferentes parceiros internacionais coloca a Síria diante de uma nova configuração diplomática. Para o governo de al-Sharaa, o desafio é preservar canais com a Rússia enquanto amplia sua integração com os Estados Unidos, a Europa e os países árabes.