General russo afastado após motim do Wagner Group volta a Moscou

General conhecido como “Armagedom” comandou as forças russas na Ucrânia em 2022 e foi afastado após a rebelião do Grupo Wagner. Possível retorno ocorre em meio à pressão crescente sobre Moscou

O general Sergei Surovikin, conhecido como “General Armagedom”, voltou a Moscou depois de anos afastado das principais funções militares na Rússia. A movimentação reacendeu especulações sobre uma possível reintegração do comandante à estrutura de guerra de Vladimir Putin, embora não exista confirmação oficial de que ele tenha recebido um novo posto operacional. As informações são do The Sun.

Surovikin comandou as forças russas na Ucrânia entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, período em que Moscou intensificou os ataques contra a infraestrutura energética ucraniana. Na época, o general também esteve à frente das tropas durante a retirada russa de Kherson, episódio acompanhado por A Referência em reportagem sobre os sinais de recuo das forças de Moscou na cidade.

A carreira do general mudou após a rebelião do Wagner Group, liderada por Yevgeny Prigozhin em junho de 2023. Surovikin era considerado próximo de setores da organização paramilitar e foi afastado do comando das operações na Ucrânia. Posteriormente, passou a atuar fora do centro das decisões militares relacionadas ao conflito.

(Foto: WikiCommons)

Seu retorno ocorre em uma fase diferente da guerra. A Ucrânia ampliou o uso de drones de longo alcance contra instalações militares, refinarias, depósitos de combustível e aeroportos em território russo. A estratégia levou o conflito para regiões cada vez mais distantes da fronteira e passou a impor custos à infraestrutura que sustenta o esforço de guerra de Moscou.

A Referência mostrou como os drones ucranianos passaram a percorrer milhares de quilômetros para atingir instalações estratégicas russas, transformando o território de retaguarda em uma nova frente do conflito.

A pressão também chegou à capital. Em julho, a Rússia impôs novas restrições ao tráfego aéreo sobre Moscou em meio ao aumento dos ataques de drones ucranianos. As medidas reduziram a altitude permitida para voos e restringiram o trânsito de aeronaves na região dos principais aeroportos da cidade. Leia aqui sobre as restrições aéreas em Moscou após os ataques de drones.

É nesse cenário que o nome de Surovikin volta a ganhar força entre comentaristas militares russos. O general acumulou experiência em operações de alta intensidade na Síria, na Chechênia e na Ucrânia e ficou conhecido pela disposição de adotar estratégias militares agressivas.

Seu apelido, “General Armagedom”, surgiu justamente dessa reputação. Surovikin foi associado a uma abordagem de guerra baseada no emprego pesado de artilharia, ataques contra infraestrutura e pressão contínua sobre as posições adversárias.

A experiência também explica por que sua eventual volta ao comando seria relevante. A Rússia enfrenta uma guerra prolongada, enquanto a Ucrânia utiliza cada vez mais drones para compensar sua inferioridade em determinados sistemas convencionais. A Referência já mostrou como essa transformação tecnológica alterou o equilíbrio no campo de batalha e passou a dificultar o avanço das forças russas. Leia sobre o impacto dos drones no avanço russo.

Isso torna prematuro afirmar que o retorno de Surovikin significa uma nova ofensiva russa ou uma mudança na estratégia de Putin. Até o momento, as informações apontam para seu retorno a Moscou, mas não há confirmação pública de que ele tenha assumido um novo comando na Ucrânia.

O movimento, porém, é relevante porque mostra como Moscou continua reorganizando sua estrutura militar enquanto a guerra se prolonga. Surovikin foi afastado depois de perder espaço político no Kremlin e agora reaparece em um momento em que a Rússia precisa lidar simultaneamente com a pressão no campo de batalha e com a expansão dos ataques ucranianos em seu próprio território.

Mais do que o possível retorno de um general conhecido, o episódio expõe uma característica central da guerra atual: a distância entre a linha de frente e a retaguarda russa diminuiu. Drones ucranianos alcançam refinarias, bases aéreas e centros logísticos a centenas ou milhares de quilômetros da fronteira, enquanto Moscou mantém sua ofensiva territorial no leste da Ucrânia.

A própria população russa passou a conviver com essa mudança. Em agosto, moradores de diferentes regiões começaram a tratar os alertas de ataques de drones como parte da rotina, um sinal de que a guerra deixou de ser percebida apenas como um conflito distante concentrado na Ucrânia. Leia aqui sobre como os russos passaram a conviver com os ataques de drones.

Se Surovikin receber novamente uma posição de comando, seu retorno poderá indicar uma tentativa de Putin de aproveitar a experiência de um dos seus comandantes mais conhecidos em uma guerra que entrou em uma fase cada vez mais tecnológica e prolongada. Por enquanto, porém, essa possibilidade permanece no campo das especulações.

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