Coronavírus

Com Covid-19, 170 países empobrecerão em 2020, estima FMI

A previsão para este ano era de aumento na renda para 160 países – até início da pandemia

Ao menos 170 países devem registrar retração da renda per capita em 2020, de acordo com as estimativas mais recentes do FMI (Fundo Monetário Internacional), à luz da pandemia do novo coronavírus.

A previsão inicial para este ano, antes da Covid-19, era de aumento na renda para 160 países, explicou a diretora-gerente do Fundo Kristalina Georgieva nesta quinta-feira (9). “Antecipamos a pior crise econômica desde a Grande Depressão”, afirmou, no discurso de abertura do encontro de primavera do FMI, que dessa vez acontece de forma virtual.

Esse prognóstico “sombrio” de um ano “excepcionalmente difícil” se aplica para países ricos e pobres, segundo Georgieva. “Essa crise não conhece fronteiras. Todos sentirão.”

Com Covid-19, 170 países empobrecerão em 2020, estima FMI
Kristalina Georgieva em evento na Alemanha, em fevereiro de 2019 (Foto: Preiss/MSC/Wikimedia Commons)

A diretora do FMI expressou preocupação sobretudo com profissionais autônomos e pequenas empresas, “especialmente expostos”, além das economias e sistemas de saúde de regiões vulneráveis, como África, América Latina e partes da Ásia.

Providências emergenciais

O Fundo calcula em um total de US$ 8 trilhões – cerca de 10% do PIB global em 2018, segundo dados do Banco Mundial – as medidas fiscais tomadas por governos para controlar os efeitos da crise. Desde o início da pandemia, foi registrada uma saída de capitais de cerca de US$ 100 bilhões de países emergentes para mercados avaliados como de menor risco.

As estimativas do Fundo apontam para uma recuperação parcial em 2021, mas, reiterou Georgieva, “há tremenda incerteza sobre esse prognóstico. Ele pode piorar, dependendo de diversas variáveis, incluindo a duração da pandemia”.

O FMI, que já recebeu pedidos de financiamento de emergência de cerca de 90 países, pode emprestar cerca de US$ 1 trilhão, que estão “a serviço de nossos membros”, segundo a diretora. Entre os países com pacotes já aprovados estão Togo, Ruanda e Quirguistão.

Entre as medidas para acelerar a concessão de crédito estão o uso das reservas em DES (Direitos Especiais de Saque), uma espécie de “moeda” do Fundo para auxiliar as reservas de países membros. Cada um tem uma cota, da qual pode sacar em momentos de crise.