Alerta nuclear de Putin é uma ‘tentativa de distração’, diz Reino Unido

Secretário de Defesa do Reino Unido, Ben Wallace, define comportamento de Putin como uma "batalha retórica"
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O presidente russo Vladimir Putin elevou as tensões a um outro nível no domingo (27), quando colocou a ameaça nuclear na mesa e deu sinais de que pode apertar o botão. No entanto, para o secretário de Defesa do Reino Unido, Ben Wallace, essa seria uma tentativa de distração “do que está acontecendo de errado na Ucrânia”, e Putin estaria travando uma “batalha retórica”. As informações são da rede britânica BBC.

Wallace sustenta que a Rússia está atrasada em sua invasão ao país vizinho, já que os ucranianos estão resistindo no que definiu como uma “luta muito forte”. Ele acredita que o anúncio do líder russo, que repercutiu em condenação em escala global e foi definida pelos Estados Unidos como uma “escalada inaceitável”, não indica que Moscou deve, de fato, disparar seu armamento nuclear.

Nessa atmosfera, a União Europeia (UE) divulgou um novo e sem precedentes pacote de sanções contra a Rússia, que vão desde a proibição de todas as aeronaves russas dentro do seu espaço aéreo até a imprensa estatal, proibindo os veículos Sputnik e RT – rede que não goza de boa fama em diversos países, onde é acusada de disseminar desinformação e propaganda ao Kremlin – de operarem dentro do bloco. Além disso, a UE anunciou que deve custear a compra e entrega de armas para a Ucrânia.

Para o correspondente de segurança da BBC Gordon Correra, a intenção de Putin é tentar impedir o apoio da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) à Ucrânia, ao passo em que alimenta o medo sobre até onde está disposto a ir, criando ambiguidade sobre que tipo de suporte a Kiev feito pela aliança ocidental ele interpreta como excessivo.

Wallace lembrou que o Reino Unido também é uma potência nuclear, que mantém a segurança britânica há décadas. “Putin sabe que qualquer coisa que envolva uma arma nuclear terá uma resposta igual ou maior do Ocidente”, disse Wallace. “É por isso que eu diria a todo o país que não faremos nada para escalar nessa área”.

Secretário Ben Wallace durante visita à Estônia em 2020 (Foto: Flickr/Divulgação)

Por que isso importa?

A escalada de tensão entre Rússia e Ucrânia, que culminou com a efetiva invasão russa ao país vizinho na quinta-feira (24), remete à anexação da Crimeia pelos russos, em 2014, e à guerra em Donbass, que começou naquele mesmo ano e se estende até hoje.

O conflito armado no leste da Ucrânia opõe o governo central às forças separatistas das autodeclaradas Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, que formam a região de Donbass e foram oficialmente reconhecidas como territórios independentes por Moscou. Foi o suporte aos separatistas que Putin usou como argumento para justificar a invasão, classificada por ele como uma “operação militar especial”.

“Tomei a decisão de uma operação militar especial”, disse Putin pouco depois das 6h de Moscou (0h de Brasília) de quinta (24), de acordo com o site independente The Moscow Times. Cerca de 30 minutos depois, as primeira explosões foram ouvidas em Kiev, capital ucraniana, e logo em seguida em Mariupol, no leste do país, segundo a agência AFP.

Para André Luís Woloszyn, analista de assuntos estratégicos, os primeiros movimentos no campo de batalha sugerem um conflito curto. “Não há interesse em manter uma guerra prolongada”, disse o especialista, baseando seu argumento na estratégia adotada por Moscou. “Creio que a Rússia optou por uma espécie de blitzkrieg, com ataques direcionados às estruturas militares“, afirmou, referindo-se à tática de guerra relâmpago dos alemães na Segunda Guerra Mundial.

O que também tende a contribuir para um conflito de duração reduzida é a decisão da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) de não interferir militarmente. “Não creio em envolvimento de outras potências no conflito, o que poderia desencadear uma guerra mais ampla e com consequências imprevisíveis”, disse Woloszyn, que é diplomado pela Escola Superior de Guerra.

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