Autoridade ucraniana condena a prisão de quatro ativistas tártaros pela Rússia

A tomada da península por Moscou é contestada por muitos muçulmanos da região, uma minoria expressiva na província
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A ombudswoman ucraniana Lyudmyla Denisova, autoridade em direitos humanos no país do leste europeu, condenou as prisões de quatro ativistas tártaros na Crimeia ocupada pela Rússia na quarta-feira (9). Ela classificou as ações das autoridades de Moscou como “ilegais”, de acordo com reportagem da Radio Free Europe.

Agentes da FSB (Agência Nacional de Segurança, da sigla em inglês) levaram sob custódia Ansar Osmanov, Ernest Seytosmanov, Marlen Mustafayev e Ametkhan Abdulvapov, sob a acusação coordenarem atividades do grupo islâmico Hizb ut-Tahrir (“Partido da Libertação”, em tradução literal), uma organização pan-islâmica que defende a unificação dos países muçulmanos sob um califado. Os quatro tiveram prisão preventiva decretada até o dia 7 de abril.

Denisova instou a comunidade internacional para que “reaja às ações ilegais das autoridades de ocupação e aumente a pressão sobre a Federação Russa para interromper sua violação dos direitos humanos no território da Crimeia temporariamente ocupada”.

Lyudmyla Denisova, comissária de Direitos Humanos do Parlamento Ucraniano (Foto: Wikimedia Commons)

Também na quarta-feira, um tribunal em Simferopol, capital da Crimeia, prorrogou a prisão preventiva de cinco outros tártaros até pelo menos 16 de março. Os cinco são acusados de serem membros do Hizb ut-Tahrir na província semiautônoma, juntamente com outras 19 pessoas do grupo étnico túrquico.

No entendimento do Memorial Human Rights Center (HRC Memorial), entidade responsável pela memória da repressão política da Rússia, todos os 24 acusados são presos políticos.

Desde que o Kremlin anexou a península da Crimeia em 2014, as autoridades processaram dezenas de tártaros por supostamente pertencerem ao Hizb ut-Tahrir, que teve suas atividades proibidas na Rússia, mas não na Ucrânia.

Um relatório publicado recentemente pelo OHCHR (Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, da sigla em inglês) revela casos de tortura e desaparecimentos forçados atribuídos ao governo russo, bem como uma série de irregularidades jurídicas cometidas em casos julgados por tribunais da região anexada da Crimeia.

Por que isso importa?

Os tártaros são uma população muçulmana que vive na Crimeia, península anexada à força por Moscou em março de 2014. A anexação ocorreu após a deposição do então presidente ucraniano Viktor Yanukovych, apoiado pelo Kremlin, e um consequente plebiscito que aprovou a anexação pela Rússia.

Desde a anexação, considerada ilegal pela ONU (Organização das Nações Unidas), instituições de direitos humanos denunciam a resposta agressiva da Rússia aos ativistas e civis da região. Segundo o embaixador da Ucrânia na ONU, Sergiy Kyslytsya, há relatos de prisões “motivadas politicamente” todos os dias.

O governo russo também apoia os separatistas que enfrentam as forças de Kiev na região leste da Ucrânia desde abril de 2014. O conflito já matou mais de 13 mil pessoas.

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