Emirados Árabes nomeiam chefe de petrolífera para presidir COP28 e alarmam ativistas

Militantes da causa climática comparam a escolha do sultão Al Jabe com "a raposa vigiando o galinheiro

Os Emirados Árabes anunciaram na quinta-feira (12) que o sultão Al Jaber, chefe da Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (ADNOC, da sigla em inglês), irá liderar a 28ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP28) deste ano. Na visão de ativistas, a escolha coloca em xeque a conferência global da ONU (Organização das Nações Unidas), marcada para o dia 30 de novembro. As informações são da rede CNN.

Segundo comunicado divulgado pelo gabinete de Al Jaber, ele ajudará a moldar a agenda da conferência e as negociações intergovernamentais, buscando construir um consenso entre os mais de 190 países participantes comprometidos com o Acordo de Paris, que é o de limitar o aquecimento global a 1,5º C.

Ao ser anunciado, Al Jaber recebeu elogios por suas credenciais sobre o assunto, incluindo destacada atuação enquanto enviado do país para mudanças climáticas e também por seu papel como fundador da empresa de energia renovável Masdar, que abriu o caminho para a energia limpa no país árabe.

“Os Emirados Árabes Unidos estão abordando a COP28 com um forte senso de responsabilidade e o mais alto nível de ambição possível”, acrescentou o comunicado.

O sultão Al Jaber durante conferência de energia renovável (Foto: WikiCommons)

Al Jaber, que também atua como ministro da Indústria e Tecnologia dos Emirados Árabes Unidos, declarou à agência WAM que acredita sinceramente que “a ação climática hoje é uma imensa oportunidade econômica para investimento em crescimento sustentável”.

Ele recebeu mensagens de parabéns de vários líderes globais, incluindo o enviado climático dos Estados Unidos, John Kerry, o presidente da COP26, Alok Sharma, e o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair, que se diz “confiante”. Ativistas ambientais, por outro lado, reagiram com críticas à nomeação.

Um dos pontos mais fortes com a desconfiança que recai sobre Al Jaber, levantando questões sobre a credibilidade da presidência, é o papel que os combustíveis fósseis têm na condução da mudança climática.

“Al Jaber não pode presidir um processo encarregado de enfrentar a crise climática com tal conflito de interesses, liderando uma indústria que é responsável pela própria crise”, disse em comunicado Tasneem Essop, diretor executivo da Climate Action Network International (CAN), uma rede global de organizações não-governamentais comprometidas com o combate às causas e efeitos nocivos das mudanças climáticas.

Essop questiona se Al Jaber deixará a posição que ocupa na companhia nacional. “Se ele não deixar o cargo de CEO da ADNOC, isso equivalerá a uma captura em grande escala das negociações climáticas da ONU por uma empresa petrolífera nacional petroestatal e seus lobistas de combustíveis fósseis associados”.

Já Teresa Anderson, líder global em justiça climática da ONG ActionAid, disse à agência de notícias AFP que a nomeação vai além de “colocar a raposa no comando do galinheiro”. 

Por outro lado, há ativistas que veem a nomeação de Al Jaber como algo natural, já que ele tem estado na vanguarda da defesa da energia renovável na região.

As Nações Unidas sustentam que a escolha do presidente era um assunto para os Emirados Árabes Unidos. Stephane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU António Guterres, disse: “É importante observar que, seja a escolha de qual país sedia a COP, ou qual pessoa preside a COP, é um assunto dos Estados-Membros, em que o secretário-geral ou o secretariado da UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) não têm absolutamente nenhum envolvimento”.

Os Emirados Árabes Unidos, que são grandes exportadores dentro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), serão o segundo país árabe a sediar a cúpula do clima, depois do Egito no ano passado.

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