ONU alerta: 60% das famílias em Gaza não têm acesso diário à água potável em meio à crise humanitária

Ataques, destruição de infraestrutura e restrições de insumos agravam cenário crítico na Faixa de Gaza, com risco de colapso nos serviços básicos

A ONU (Organização das Nações Unidas) informou que cerca de 60% das famílias na Faixa de Gaza não têm acesso diário à água potável, em meio à continuidade dos ataques e à deterioração dos serviços essenciais no território. As informações são da Anadolu.

A declaração foi feita nesta quarta-feira (29) pelo porta-voz da organização, Stéphane Dujarric, durante coletiva de imprensa. Segundo ele, a situação humanitária segue se agravando à medida que áreas residenciais continuam sendo atingidas e infraestruturas básicas sofrem danos constantes.

“Os ataques em toda a Faixa de Gaza continuam atingindo áreas residenciais e interrompendo serviços básicos”, afirmou o porta-voz.

(Foto: WikiCommons)

Dujarric destacou um ataque aéreo recente na Cidade de Gaza que, de acordo com relatos, atingiu trabalhadores de organizações humanitárias em um poço de água. A ação resultou na morte de uma pessoa e deixou outras quatro feridas, além de causar danos significativos à estrutura, levando à suspensão das operações no local.

Apesar do impacto, parceiros humanitários que atuam no abastecimento de água informaram que a produção total não sofreu queda imediata. Para compensar as perdas, estão sendo realizadas entregas emergenciais por caminhões-pipa. Ainda assim, a medida é considerada paliativa.

“As necessidades de água da população estão longe de serem atendidas”, reforçou Dujarric. “As soluções atuais são caras e insustentáveis.”

A ONU também alertou que mantém negociações com autoridades para viabilizar a entrada de materiais essenciais, necessários para sustentar a produção de água e o funcionamento de outros serviços vitais. Sem esses insumos, há risco real de colapso.

A crise ocorre no contexto da guerra iniciada em outubro de 2023, após a escalada do conflito entre Israel e grupos palestinos. Desde então, mais de 72 mil palestinos morreram e cerca de 172 mil ficaram feridos, segundo dados citados pela organização.

Além da escassez de água, a Faixa de Gaza enfrenta uma crise sanitária sem precedentes, com hospitais danificados, falta de medicamentos e severas restrições à entrada de combustível e suprimentos médicos.

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