Guerra na Ucrânia faz disparar preços de trigo, milho, óleos vegetais e outros alimentos

Índice do Preço dos Alimentos da FAO chegou a 159.3 pontos em março, uma alta de 12,6% se comparado ao mesmo período de fevereiro
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Como já era esperado, a guerra na Ucrânia levou a uma disparada no preço dos alimentos. Em março, o conflito na região do Mar Negro causou uma alta recorde no valor dos cereais e dos óleos vegetais.

A FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) divulgou nesta sexta-feira (8) o Índice do Preço dos Alimentos com uma alta de 12,6% se comparado ao mês de fevereiro, com a marca de 159.3 pontos. Essas são as maiores altas desde a criação do Índice em 1990.

Juntas, Rússia e Ucrânia concentram quase 30% da exportação global de trigo e 80% das exportações de girassol. A Rússia é ainda o maior exportador de fertilizantes. A interrupção em ambos os países é sentida no sistema agroalimentar mundial.

A subida no preço da cesta básica em março foi de 33,6% se comparada ao mesmo mês do ano passado.

Venda dos moinhos estatais é uma das primeiras privatizações planejadas pelo reino (Foto: Pexels)

O diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, alerta para as consequências da guerra para a segurança alimentar. Segundo ele, é preciso evitar uma crise dos alimentos semelhante à que ocorreu em 2008, quando foram aplicadas “medidas contraproducentes”.

Qu lembrou que, desta vez, a diferença não é um desastre natural como a seca de 14 anos atrás e que é preciso garantir a estação de plantio.

A FAO sugere algumas medidas para conter novos choques de preço. Entre elas, o apoio aos países mais vulneráveis, planos de proteção social e melhorias em medidas de biossegurança em países vizinhos da Ucrânia, para minimizar riscos como a febre africana suína e outras doenças animais.

Carne, milho, leite…

A disparada em março foi registrada no trigo com 19,7%, e no índice dos cereais com 17,1%, puxada pelo aumento dos grãos duros. A preocupação com as condições da colheita nos Estados Unidos também influiu no aumento, segundo a FAO.

A agência da ONU também citou que o preço do milho está registrando um aumento de 19,1% de mês a mês. Já o índice do açúcar subiu 6,7% desde fevereiro, revertendo as baixas recentes. Nesse caso, o aumento do preço do petróleo puxou a subida juntamente com a valorização da moeda brasileira, o Real, e expectativas de safras melhores na Índia.

Na prateleira do óleo de soja, o aumento foi de 23,2% por causa das cotações maiores para a semente do óleo de girassol, da qual a Ucrânia é o maior exportador mundial. Os preços para o óleo de soja também causam preocupações devido à redução de exportações pela América do Sul.

A carne subiu 4,8% em março puxada pelo preço da carne suína e de uma queda no abate de porcos no leste europeu. O preço internacional das aves também registrou alta em meio a surtos de gripe aviária em alguns países. Por sua vez, os derivados do leite aumentaram 2,6% em março, 23,6% a mais que em março de 2021.

Mesmo assim, a FAO vê melhores notícias para exportação de grãos duros em países como Argentina, Brasil e África do Sul. A produção de arroz, milho e trigo deve subir, com projeções de 2,7 milhões de toneladas para a utilização global de cereais em 2021 e 2022.

Os estoques de cereais também podem fechar este ano com um aumento de 2,4%, uma redução leve se comparada ao ano anterior.

A FAO baixou sua projeção para o mercado mundial de cereais no atual ano mercadológico para 469 milhões de toneladas, indicando a contração para o biênio anterior por causa da guerra na Ucrânia. 

Conteúdo adaptado do material publicado originalmente pela ONU News

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