Igrejas clandestinas sob pressão: China reforça vigilância sobre fiéis católicos

Relatório aponta aumento de vigilância, restrições e tentativas de controle estatal sobre igrejas não registradas, em meio à disputa religiosa com o Vaticano

A China está ampliando a pressão sobre comunidades católicas clandestinas para que se integrem à igreja oficial controlada pelo Estado, segundo um novo relatório da Human Rights Watch (HRW). A organização de direitos humanos afirma que o movimento faz parte de uma estratégia de longo prazo do governo chinês para reforçar o controle sobre a prática religiosa no país. As informações são da Associated Press.

De acordo com o relatório, autoridades chinesas têm intensificado a vigilância, as restrições de viagem e medidas administrativas contra católicos, afetando cerca de 12 milhões de fiéis. A divisão entre uma igreja oficial, vinculada ao Estado, e uma rede clandestina leal ao Vaticano continua no centro da tensão religiosa no país.

Fachada de igreja católica na cidade de Zhengzhou, na China (Foto: Peter Griffin/Public Domain Pictures)

A igreja oficial chinesa não reconhece plenamente a autoridade do papa, enquanto comunidades clandestinas mantêm sua fidelidade a Roma, mesmo sob décadas de repressão e monitoramento estatal.

Em 2018, o Vaticano e Beijing firmaram um acordo histórico sobre a nomeação de bispos, buscando reduzir o conflito entre as duas estruturas religiosas. No entanto, segundo a HRW, a repressão não apenas continuou, como se intensificou em várias regiões da China.

O governo chinês rejeita as acusações e afirma que garante liberdade religiosa, além de acusar a organização de direitos humanos de parcialidade.

O relatório também afirma que o governo tem pressionado comunidades clandestinas a aderirem à Associação Patriótica Católica Chinesa (APCC), órgão religioso controlado pelo Estado. Entre as práticas citadas estão detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados e prisão domiciliar de líderes religiosos.

Além disso, a HRW aponta o aumento do controle ideológico sobre atividades religiosas, incluindo restrições a viagens internacionais de clérigos e maior vigilância sobre práticas religiosas consideradas independentes.

A política de “sinicização das religiões”, lançada sob o governo de Xi Jinping, é citada como base ideológica dessas ações. Segundo o relatório, essa estratégia busca alinhar todas as práticas religiosas à liderança do Partido Comunista Chinês (PCC).

O caso se insere em um contexto mais amplo de restrições à liberdade religiosa na China, que também afeta outras comunidades, incluindo budistas tibetanos e muçulmanos uigures.

A disputa entre o Vaticano e Beijing segue em aberto, com o acordo de 2018 ainda em vigor, mas cercado de críticas de organizações de direitos humanos e setores da própria Igreja Católica.

Especialistas citados pela HRW afirmam que a pressão sobre igrejas clandestinas pode se intensificar nos próximos anos, especialmente diante do aumento do controle estatal sobre instituições religiosas e da política de segurança interna do governo chinês.

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